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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Dom Mar 18, 2007 5:36 pm Assunto: Um Novo Homem - 4 partes - Completo |
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Olá amigos.
É com grande prazer que venho estrear a nova fase da pasta Contos da Nova Fronteira. Nessa estréia trago a história de um homem chamado Ramon Gonzales, cidadão mexicano, uns quarenta anos, infeliz no casamento e na profissão, que, de repende, tem sua vida completamente mudada, pois se torna o principal suspeito do assassinato de um grande Super-Herói.
Para sitiá-los na cronologia do UNF, esse conto começa em meados de Novembro e Dezembro de 2006, logo em seguida ao fim de Alvorada dos Heróis, e se estenderá por conco meses, até Abril de 2007.
Boa leitura.
Um Novo Homem
Universo Nova Fronteira
Por: Anderson Oliveira
Parte 1
10 LIÇÕES PARA SE TORNAR UM VILÃO
LIÇÃO 1: Seja mal, muito mal.
Era uma vez no México...
— p**a que paril!!
— Calma, Ramon... calma!
— Como eu posso ter calma, José?! Como?!
Ramon Gonzáles joga o maço de cinqüenta pesos ao vento enquanto entorna a última garrafa de tequila, sentado no meio fio sob o calor do meio dia. Seu irmão José, de pé, o observa sem saber o que fazer, enquanto ele se afoga no desespero. Ramon ameaça quebrar seu violão. José logo tira o instrumento das mãos do irmão. O violão é o único meio de trabalho de Ramon, apesar do grupo de mariachis onde ele e José tocam estar indo da mal a pior. Os dois acabaram de sair da última apresentação.
Parece que os turistas canadenses não gostaram muito da interpretação do grupo do clássico Huapango de José Plabo Moncayo Garcia. São poucos capazes de admirar a tradicional música mexicana, derivada de cantos indígenas, mesmo resgatada por um compositor erudita, de vida e obra breve, como Moncayo. Ou talvez a mediocridade dos mariachis, com suas roupas pretas empoeiradas, seus sombreiros velhos e rasgados, as caras com barbas mal feitas, suas panças inchadas não se sabe se de comer ou de beber... talvez as duas coisas, mas o fato é que tal grupo folclórico ainda precisaria de horas e horas de aulas de música antes de se atreverem a cobrar para ouvirmos suas cordas desafinadas e suas vozes ainda piores. Uma vergonha para o México.
— Cinqüenta pesos! Tocamos para esses gringos e só nos pagam cinqüenta pesos! — diz Ramon buscando a última gota de tequila.
— Eu sei que as coisas estão difíceis, mas encher a cara não ajuda! — diz José recolhendo as notas.
— O pior vai ser ter que agüentar a mulher gritando no meu ouvido... — minutos depois:
— Seu imprestável!! Inútil! Vagabundo!! — Guadalupe cresceu acostumada a falar alto, tão alto que nunca se sabe quando ela está gritando ou falando normalmente. E Ramon sempre odiou isso. Agora ele ouve calado todas as ofensas que sua mulher lhe dirige. Não é a primeira vez. Ele permanece calado. Sempre calado.
“Por que eu agüento isso?” ele pensa “Ah sim... por causa da Inezita... Maldita hora que engravidei essa leitoa... fui obrigado a me casar e hoje tenho uma mulher insuportável e uma filha adolescente que me odeia. Eu preciso de mais tequila.” Ramon aproveita que sua mulher foi para a cozinha e pegou uma garrafa de bebida e se sentou no sofá. Só mesmo com litros e litros de tequila para aturar Guadalupe. Além de seus berros, Ramon tem que suportar seu mau-hálito, seus cabelos sempre despenteados, seus tornozelos grossos... sem falar na obesidade quase mórbida. E Guadalupe ainda reclama que passam fome! Tem horas que Ramon se pergunta no que se passava em sua cabeça quando, naquela madrugada, ele a levou pra sua cama. Mas então ele olha para a garrafa na sua mão e se lembra da resposta.
Sua casa é simples, com móveis velhos e sujos. O sofá é de couro com rasgos enormes além de queimaduras e manchas não se sabe de quê. A estante seria uma bela peça de marcenaria do século passado se não fosse os arranhões, as lascas, o nome “Inezita” escrito com canivete entre outras cicatrizes no móvel que ele herdou de sua mãe. Mesa, cadeiras, armários e outras peças também seriam belas antiguidades se não fosse o desprezo de Guadalupe por uma casa limpa. Quadros religiosos, como do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora de Guadalupe (indispensável em qualquer casa de católicos mexicanos) completam o cenário humilde e... largado. Mas é o máximo que ele pode manter. Ramon liga a TV, também velha, do tipo que ainda funciona com válvulas. No noticiário uma notícia se repete nos últimos meses:
— Com sua força e velocidade descomunais, Super Justiça salvou todos de um incêndio criminoso em um shopping no centro da Cidade do México. O incêndio foi provocado por membros da Grimm’s Gang que roubaram um banco dentro do shopping. Mas graças ao herói, que chegou voando e tirou todas as pessoas do prédio, ninguém se feriu gravemente. Porém a Grimm’s Gang fugiu. — dizia a repórter do jornal enquanto viam-se cenas do prédio em chamas. — Super Justiça vem atuando entre os Estados Unidos, México e vários outros países se mostrando como mais um super-herói que veio para nos proteger. — em seguida são exibidas imagens do Super Justiça. Um homem alto e robusto, de cabelos loiros na altura dos ombros, vestido de branco com detalhes em vermelho. Após acenar para as câmeras ele levanta vôo e sobe aos céus.
Não se sabe ao certo de onde vem esse auto proclamado herói. Tão pouco se pode dizer se ele humano, ou outro desses super-seres, ou mesmo um alienígena vindo à Terra ainda bebê. Essa última hipótese é realmente ridícula de se pensar, mas sua crescente legião de fãs resolveu divulgar na internet (em blogs e comunidades do Orkut dedicadas a ele) nomes estranhos, como Urâniah, Crewton, Singslin, Over-X02, Juna entre outros como sendo seus possíveis planetas de origem. Certa vez, um místico se dizendo fundador de uma nova religião disse que Super Justiça é um espírito salvador que através dos séculos toma distintas formas e ajuda a humanidade cumprindo uma antiga profecia de sacerdotes do deus egípcio Thoth. Diz o místico que Super Justiça, em outras encarnações, já fora Noé, João Batista, Nostradamus, Gandhi e John Lenon. E tal místico afirma ser seu irmão biológico, sendo ambos filhos do Sol, ou de algum ser poderoso que mora lá dentro. O que para o povo mexicano lembra os Astecas.
Mas nada de concreto realmente se sabe sobre a vida deste herói. Só se sabe que ele é forte, muito forte... Sua força só pôde ser calculada na escala Richter. Além de sua velocidade em vôo que ultrapassa Mach-6. Ele parece ser indestrutível, o que alimenta o medo entre os criminosos e mesmo entre alguns governos que em certos países se confundem com os criminosos. Um pequeno país da Ásia já anunciou que vai construir uma arma nuclear para se proteger do herói, caso ele ameace a soberania do governo ditador. Porém talvez nem todas as bombas atômicas do mundo possam contra ele. Isso sem falar no sucesso que Super Justiça faz com as mulheres. Elas o chamam de Apolo e--
— Ramon! Ramon! Sai da frente dessa televisão e vem cá me ajudar! — grita Guadalupe.
— Que inferno! — Ramon resmunga, mas mesmo assim se levanta e vai até a cozinha. No caminho ele esbarra no velho armário e uma gaveta se abre. Dentro dela ele vê sua arma, um revólver calibre 38. Ele olha fixamente para a arma e depois para sua mulher. “Eu poderia dar um fim nisso tudo”, pensa. Ele pega a arma. Está carregada. “Um tiro... apenas um tiro...”. Ele entra na cozinha. Guadalupe está de costas. Seria fácil. Seria o fim dessa vida miserável. Ele dá outro gole na tequila. É a hora, Ramon, você é homem, pode fazer isso. Mostre que não é um zero à esquerda. Acaba de uma vez por todas com essa leitoa maldita...
— Ramon!
— T-tô aqui, querida... — Ramon esconde a arma atrás do corpo. Ainda o mesmo fraco de sempre, Ramon...
— Faz alguma coisa pra variar. Vai, leva o cachorro pra passear. — o cachorro. Ramon tinha se esquecido que tinham um cachorro. Ali estava ele, com olhos grandes e famintos. O velho Brutus, uma mistura de perdigueiro com labrador, de pêlo marrom escuro.
— Tá bom. — Ramon guarda a arma na cintura e passa a mão na corrente do Brutus e o arrasta para fora. Mais uma vez fraquejou, não é Ramon? Por isso é e sempre será o mesmo imprestável. — Eu devia ter apertado o gatilho... — ele se lamenta enquanto passa pela porta. Na rua ele vê sua filha. — Inezita.
Vestida como uma rameira, a garota de quinze anos está nos braços de um homem que deve ter uns trinta. Ela é bonita, por sorte não puxou a mãe. Morena trigueira, com olhos amendoados e castanhos, cerca de 1,60 de altura. Ramon passa por eles, Inezita o vê, e como resposta lhe manda um beijo, depois voltando aos braços do homem que se maravilha enquanto morde seus seios quase para fora da blusa. Mas Ramon nada diz, não tem autoridade para isso, e segue com o cachorro arrastado pela rua.
— Inferno! — Ramon resmunga. — Vida desgraçada! — ele só sabe resmungar. Ramon, você é um inútil que só sabe resmungar. Por isso nada vai mudar na sua vida. Nada! E você sabe disso. Sempre soube, desde pequeno quando apanhava na escola, apanhava de seu pai, apanhava de sua vó, apanhava da garotinha de cinco anos da casa vizinha. Você seria o último cara que mereceria ter sua história contada... Ramon anda sem rumo, levando o velho Brutus consigo sem saber aonde vai. E assim permanece por horas e horas até que anoitece. O céu é enluarado, com uma branca e brilhante lua cheia. Mas Ramon não se preocupa em olhar a paisagem. — Maldição!! — Ramon se perde. O idiota se perde! — Isso é culpa sua, seu saco de pulgas! — ele diz para Brutus. O cão abaixa as orelhas confuso. Ramon ameaça bater no animal erguendo sua mão com fúria, mas mesmo sendo um covarde, ele não tem coragem para isso e desiste abaixando lentamente a mesma mão, agora trêmula.
Soltando a corrente, Ramon se joga no meio da rua com as mãos no rosto e chora. Os populares passam por ele e só enxergam mais um bêbado vagabundo. Brutus fica ali parado, o cheirando e sem saber o que fazer. Então Ramon sente em seu corpo um volume desconfortável. É a arma. Logo ele se senta e puxa o revólver. Quem vê se assusta e se afasta. O que vai fazer, Ramon? Se matar?! Ele põe a arma na cabeça... Ora, você não tem coragem para tanto! Você nem conseguiu atirar naquela insuportável da Guadalupe! O que quer provar com isso? Então ele abaixa o revólver e aponta para Brutus.
— Eu posso fazer isso! — idiota! O que o pobre animal tem a ver com seus problemas? Mata-lo vai resolver alguma coisa? Ah sim... você vai se sentir homem... macho... não é, Ramon? Não é isso que você quer? Se sentir poderoso? Senhor de si? E para isso vai matar o cachorro? Olhe, olhe seus olhos piedosos e carentes, olhe suas orelhas murchas e pernas fracas. Tão estúpido é esse cachorro que ele gosta de você... talvez a única criatura viva que gosta de você! Ele não vale a pena.... Abaixe essa arma, pegue um ônibus e volte pra casa... você precisa de um café preto para curar essa ressaca. — Eu posso fazer... — não, Ramon! Pare! — Eu... posso! — Não! — Sim!! Eu posso!
Ramon engatilha a arma. Ele fecha os olhos e espera a coragem tomar conta de si. Brutus fica parado, não entende o que seu dono está fazendo. Ramon respira fundo... é agora...
LIÇÃO 2: Consiga poderes.
Um estrondo ensurdecedor assusta Ramon. Ele sente que disparou sua arma, mas não viu o alvo. E mesmo assim, um único tiro não iria fazer a terra tremer e a poeira levantar. Além disso, ele ouve gritos. Gritos histéricos de mulheres que por ali passavam. Gritos demais, até por piedade a um velho cão. Ele então abre os olhos. Devagar. Brutus não está mais na sua frente... tão menos seu cadáver. Do contrário, na sua frente está um homem. Um homem alto e robusto, de cabelos loiros na altura dos ombros e vestido de branco e vermelho. De joelhos no chão, com hematomas por todo o corpo. Com o uniforme rasgado... e com um ferimento no peito, onde ele leva sua mão e vê seu sangue jorrar. Esse homem é o Super Justiça.
— N-não! — o herói diz com a voz fraca e embriagada em sangue enquanto cai sobre Ramon. Este, por sua vez, o apara nos ombros e o joga para o outro lado, o deitando de costas no chão. Então as pessoas se aproximam. Pedestres e motoristas que largavam seus carros nas ruas. Todos se aproximam e formam uma roda em volta de Ramon com o moribundo herói. Aqueles que estão mais próximos ainda podem ouvir o último suspiro do campeão que fatidicamente expira.
— Impossível! — exclama um homem que logo vê a arma na mão de Ramon. — Ele... ele matou Super Justiça! — uma ovação sucede a afirmação convicta do homem. Todos passam a dizer entre si “isso é terrível!”, ou “como ele pôde fazer isso?” ou mesmo “o que será de nós sem o herói?” entre muitos outros comentários incompreensíveis, alguns choros e muitos, muitos palavrões dirigidos a Ramon.
— Assassino! Maldito! — grita uma mulher. E logo todos se unem ao coral de ofensas, até que uma outra senhora diz:
— Vamos embora daqui! Se ele conseguiu acabar com Super Justiça, o que poderá fazer conosco?!
— É verdade! Ele é perigoso! — diz alguém na multidão.
— Ele deve ser mais forte que o herói! — diz outro alguém, então, com esses novos comentários, a multidão se dissipa lentamente enquanto Ramon continua confuso, com um cadáver ao seu lado.
— Eu... fiz isso? — ele diz consigo mesmo. Realmente é difícil crer, até porque nós conhecemos Ramon e sabemos que ele não seria capaz de matar nem seu cachorro, quanto mais um poderoso herói, tido como invencível. A única certeza neste caso é que ao lado de Ramon está o corpo de Super Justiça muito ferido, como se tivesse acabado de lutar contra seu pior inimigo e, por fim, com um ferimento no peito... um ferimento de bala, assim à vista, mas só peritos da polícia poderão dizer o calibre da bala ou se foi de verdade uma bala. Mas para quem passou e viu o morto e Ramon com uma arma recém disparada, a imaginação cuida de criar o resto da notícia.
Ramon levantou a cabeça e olhou ao seu redor. As poucas pessoas que ainda ali estavam o olhavam com medo. Pela primeira vez Ramon viu tal emoção dirigia a ele. Isso até o fez se sentir feliz, pois se sentiu importante. Mas tal pensamento só durou um instante, já que logo Ramon ouviu sirenes. Assustado, ele se levanta. As pessoas recuam ainda mais. Então ele larga a arma no chão e corre. Corre como nunca antes tinha corrido. Em questão de minutos viaturas da polícia chegam ao local. O sargento Esteban Rodrigues faz o sinal da cruz ao ver de quem era o corpo estendido no chão. Após limpar o suor de sua testa, o sargento se virou para o primeiro pedestre que viu e disse:
— Agora conte-me o que aconteceu aqui.
Olhando a cena, escondido no alto de uma grande árvore, oculto na sombra escura da noite de lua cheia, um homem que respira ofegante parece dizer um resmungo. Então ele olha para baixo e vê um cachorro no pé da árvore. É o velho Brutus. Ele olha para cima com seu olhar confuso, quase dizendo “pode me ajudar a voltar pra casa?”. O homem de cima dos galhos apenas diz:
— Olá amiguinho... Parece que eu e você ficamos sozinhos esta noite... — e antes que Brutus pudesse entender tais palavras, se é que tal bicho tem esse intelecto desenvolvido, o homem sumiu dali rapidamente, deixando apenas galhos trincados.
Ramon ainda corre. Quando ouviu as sirenes lhe veio o medo de amargar na prisão, pois claro, ele é o principal suspeito um assassinato (e que assassinato!) e todas as provas apontam contra ele. Tal medo faz seu coração bater, suas pernas fraquejarem e o suor empapar sua camisa listrada. Mesmo tendo aquele pequeno prazer, quase sexual, de ser temido pelo povo, agora é ele quem teme, como sempre temeu por toda sua vida, pois não seria um simples tiro que iria mudar o destino de Ramon Gonzáles... ou seria?
Ele corre, desce por vielas das periferias da Cidade do México, passa por corredores que lembram um mercado árabe, sobe escadarias e passarelas até que chega em um lugar familiar. Simplesmente o lugar onde nasceu e cresceu, de onde traz muitas lembranças, nem todas felizes, pois sabemos que seu plano de vida não lhe dá o direito a felicidade. Mas mesmo assim, chegando a sua velha rua ele se sentiu seguro, então parou, pôs as mãos sobre os joelhos e respirou ofegante para recuperar o fôlego perdido na corrida. Afinal ele não é nenhum garoto no alto dos seus quase quarenta anos e nem se pode dizer que seja um atleta. Então qualquer corridinha já lhe faz botar os bofes pra fora.
Porém enquanto lutava para não vomitar, lembrou de alguém que poderia ajudá-lo. Talvez a única pessoa que tivesse o dom de fazer essa caridade. Seu irmão José, aquele que também é músico. Ele ainda mora aqui, na velha casa onde os dois cresceram. Uma casa muito melhor que aquela onde Ramon foi obrigado a viver com Guadalupe. Ramon então reuniu as últimas forças e foi bater na porta.
— Ramon?! O que houve?! — dizia José ao abrir a porta quando Ramon caiu sobre seus braços.
— Me... me ajude! — Ramon desmaiou.
Horas depois, ao amanhecer, ele acorda deitado no sofá da casa com José tomando seu café preto na cozinha enquanto lia estupefato o jornal. Ao perceber que seu irmão acordou, José o olhou com um misto de surpresa e orgulho, ou seria descrença e vontade de rir? Não importa. Fato é que José deu outro gole no seu café, dessa vez engolido com pressa, ele foi até Ramon.
— Então é por isso que veio até aqui? — dizendo isso lhe mostra o jornal, cuja manchete de primeira página era “Super Justicia és Muerto”, em bom e claro espanhol.
— Deus... — sussurrou Ramon.
— Deve estar na televisão também. — José ligou sua TV e se tivesse apostado algum dinheiro em suas palavras estaria um pouco mais rico, pois em todos os canais plantões noticiários informam sobre o assassinato do herói e a caça ao suspeito. Uma das reportagens chamou a atenção dos dois. Mostrava policiais invadindo a casa de Ramon e capturando Guadalupe e Inezita. — Como acharam seu endereço?
— Droga! O cachorro! — sim, na coleira de Brutus o sargento Rodrigues encontrou tudo que precisava saber sobre Ramon. E falando nele, surge o sargento dando um pronunciamento na TV:
— Atenção todos. Este homem é Ramon Gonzáles. Ele é um criminoso muito perigoso, pois ele... matou... o internacionalmente conhecido Super Justiça, que todos sabem, ou julgavam saber, era o homem mais forte do mundo. Se alguém foi capaz de acabar com sua vida de forma tão violenta este indivíduo deve ser alguém muito poderoso. Qualquer informação chame imediatamente a polícia! Não tentem nada contra ele! Apesar da aparência de uma pessoa comum, ele deve ter poderes que ainda desconhecemos. Que Deus nos ajude!
Ramon e José ficam em silêncio. Poderes? Ramon? Isso é tão ridículo que chega a ser maravilhoso. Enquanto o pobre Ramon avalia como seu nome, até então a única coisa que tinha de honrado, fora jogado na lama, José, muito mais velhaco que o irmão, imagina como isso poderia ser lucrativamente bom. Enquanto no silêncio permaneciam, alguém bateu na porta. Ramon engoliu seco, temendo ser a polícia, pois já que encontraram sua casa, não tardaria até Guadalupe abrir sua boca enorme e falar sobre José. Já este ficou calmo, sem nada dizer foi até a porta e olhou por uma fresta de janela. Não havia ninguém. Enquanto voltava para dentro ouviu novamente bater. Logo se voltou e abriu a porta. Ninguém. Quando já ia soltar um palavrão, viu aos seus pés uma caixa. Cauteloso abriu a caixa e sorriu.
— Veja isso. — disse José colocando a caixa no chão, em frente a Ramon. Dela ele tirou garrafas de uísque e vinho tinto, uma caixa de charutos cubanos e caixas de chocolates suíço, além de outras iguarias que aqueles dois pobretões nem conheciam. Junto havia um bilhete que José logo leu: — “Ramon, obrigado por ter tido coragem de acabar com nosso maior inimigo. Nós da Grimm’s Gang somos eternamente gratos. Aceite nossos presentes e nos procure. Iremos lhe proteger da polícia, afinal uma mão lava outra. Assinado: Espelho.”
— Grimm’s Gang? — questiona Ramon.
— Uma gangue de bandidos muito poderosos! Você tá com moral com eles, meu irmão!
— Não, não posso aceitar isso! Eu... eu não sou um deles!
— Ramon... olhe as notícias, veja em sua volta... Você é o melhor deles. Irmão, essa é a chance de subir na vida e ser mais do que um mariachi que ganha 50 pesos por show. — as palavras, assim como os olhos de José tinham um ar de sabedoria que seduziria qualquer um. José sabia usar as palavras e sabia avaliar as situações como um verdadeiro jogador. E é verdade o que ele disse. Ramon, de repente, se tornara alguém muito poderoso e qualquer outro no seu lugar não iria vacilar em fazer a escolha certa. Ramon abaixou os olhos, respirou fundo e disse:
— Acho que é hora de ser um novo homem!
Fim da parte um. _________________
REVOLT: No ar o capítulo #18.
Já está on-line: SAGRADA JUSTIÇA #2 e o ESQUADRÃO M.
http://unfrevolt.wordpress.com
Editado pela última vez por Aracnos em Dom Out 21, 2007 9:37 pm, num total de 4 vezes |
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Will Costa UNF Amigão

Registrado em: Domingo, 22 de Outubro de 2006 Mensagens: 198 :
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Enviada: Seg Mar 19, 2007 1:54 am Assunto: |
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Pela primeira vez, consigo ser o primeiro a postar em um capítulo, e olha, que capítulo de abertura.
Você tem uma linguagem narrativa das melhores, Aracnos, sério mesmo. Eu estava me sentindo em pleno México e tomando as dores do Ramon. Nossa, que cara sofrido, me deu até pena de saber que ele vai ser vilão.
Esse Super Justiça aparece em Alvorada dos Heróis? Pois não li ainda.
No mais, estás de parabéns. Boa trama, ótimo personagem principal e nada mal os personagens coadjuvantes.
Quem é o cara que estava na árvore?
Só fique atendo a uns errinhos de português, provavelmente, provenientes de uma falta de revisão do word, risos.
Mas não se preocupe, nada que ofusque a beleza do capítulo.
Aguardo ansioso o próximo
Fui. _________________
Já está no ar o segundo capítulo de Garlok. MEDO DE MASCARADOS. Confiram! |
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Resgate Supremo

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 1881 : Localização: Atibaia
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Enviada: Seg Mar 19, 2007 11:24 am Assunto: |
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Finalmente posso comentar esse capítulo!
Sensacional o modo como vc delineou a personalidade do Ramon, aliás ô vida ferrada heim?
A ambientação do México está sensacional (me levou a mudar grande parte do texto da Ciudad) realmente nos faz "ver" tudo o que acontece!
O Super Justiça e a Grimm's Gang são ótimas criações, o pessoal vai entender o por que nas próximas edições
Parabéns pela ótima estréia cara! _________________
Nosso novo site!
http://novafronteira.wordpress.com/
SIM PARA AS CÉLULAS-TRONCO!!! |
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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Qua Mar 21, 2007 1:54 pm Assunto: |
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| Will Costa escreveu: | | Pela primeira vez, consigo ser o primeiro a postar em um capítulo, e olha, que capítulo de abertura. | Salve, Wil! O primeirão!!
| Citação: | | Você tem uma linguagem narrativa das melhores, Aracnos, sério mesmo. Eu estava me sentindo em pleno México e tomando as dores do Ramon. Nossa, que cara sofrido, me deu até pena de saber que ele vai ser vilão. | Pois é Wil, dá pra ter pena do Ramon... só espera pra ver o que ainda vai acontecer... Sobre a narrativa, usei nesse conto um estilo que gosto muito, de um narrador-personagem, que se intromete, fala com o personagem e com o leitor, aos bons moldes do mestre Machado de Assis.
| Citação: | | Esse Super Justiça aparece em Alvorada dos Heróis? Pois não li ainda. | Não, ele não aparece... na verdade ele começa a atuar após o final de Alvorada...
| Citação: | No mais, estás de parabéns. Boa trama, ótimo personagem principal e nada mal os personagens coadjuvantes.
Quem é o cara que estava na árvore? | O cara da árvore? Bom, não posso dizer ainda, mas não se esqueça dele...
| Citação: | Só fique atendo a uns errinhos de português, provavelmente, provenientes de uma falta de revisão do word, risos.
Mas não se preocupe, nada que ofusque a beleza do capítulo.
Aguardo ansioso o próximo
Fui. | Nossa, ainda teve erros, eu revisei umas trocentas vezes e ainda passou erros... Jesus!! Mas se dá pra entender, tá bom!
Valeu a presença Wil, não perca os próximos capítulos! _________________
REVOLT: No ar o capítulo #18.
Já está on-line: SAGRADA JUSTIÇA #2 e o ESQUADRÃO M.
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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Qua Mar 21, 2007 2:04 pm Assunto: |
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| Resgate escreveu: | | Finalmente posso comentar esse capítulo! | fala, mano João!
| Citação: | | Sensacional o modo como vc delineou a personalidade do Ramon, aliás ô vida ferrada heim? | É... Ramon é um zé ninguém. E isso dá a beleza nos fatos futuros, como um cara desse pode se tornar o que ele vai se tornar... Na verdade, Um Novo Homem é um grande conto de fadas...
| Citação: | | A ambientação do México está sensacional (me levou a mudar grande parte do texto da Ciudad) realmente nos faz "ver" tudo o que acontece! | Olha, sobre essa ambientação eu não vejo nada de mais. Inclusive, eu nem fiz pesquisas profundas. É só ver que o México é mais ou menos como o Brasil. A Cidade do México é um metrópole como São Paulo, com seus centros urbanos e suas periferias... Apenas isso...
| Citação: | O Super Justiça e a Grimm's Gang são ótimas criações, o pessoal vai entender o por que nas próximas edições | O Super Justiça na verdade, pode-se dizer, foi meu primeiro herói que criei, isso com uns sete anos de idade, e na verdade não era mais que uma versão do Super-Homem... o tempo passou, ele foi esquecido, e agora resolvi dar uma repaginada nele, talvez aproveitá-lo de alguma forma, como a Marvel fez com o Sentinela. Daí, pra não cair nas imitações, resolvi matá-lo logo de cara pra dar a trama de Um Novo Homem.
Já a Grimm's Gang, bom, quero ver a galera catando citações nos próximos capítulos! Além disso, após o fim da mini-série, o UNF ganha uma elite de vilões que todos os escritores poderão usar...
| Citação: | | Parabéns pela ótima estréia cara! | Valeu João! Te espero nos próximos capítulos! _________________
REVOLT: No ar o capítulo #18.
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alexnery Site Admin

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 602 : Localização: Belém-Pará
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Enviada: Qui Mar 22, 2007 3:14 pm Assunto: |
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Aracnos,
História sensacional. Cenários muito bem descritos, criando uma ambientação envolvente.
Narração impecável, conseguindo levar ao leitor todas as emoções de Ramon. Isso cria empatia e, ao mesmo tempo, desprezo pelo atrapalhado protagonista. Excelente!
Existem trechos em que eu cai na risada. Em outros, tive ódio do Ramon... é muito bom quando um texto provoca essas emoções no leitor. É sinal de que conseguiu atingir seu objetivo e estabeleceu um canal de comunicação eficiente.
Parabéns. Excelente texto, tanto na forma quanto no conteúdo.
Que venham os próximos (e imperdíveis) capítulos.
Abraços. _________________
<b>PECADO É NÃO AJUDAR A QUEM PODEMOS.
DIGA SIM PARA A PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO.</b> |
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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Dom Mar 25, 2007 5:02 pm Assunto: |
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| alexnery escreveu: | Aracnos,
História sensacional. Cenários muito bem descritos, criando uma ambientação envolvente. | Opa, sobre ambientação de cenários, aprendi com um mestre chamado Alex Nery!
| Citação: | Narração impecável, conseguindo levar ao leitor todas as emoções de Ramon. Isso cria empatia e, ao mesmo tempo, desprezo pelo atrapalhado protagonista. Excelente!
Existem trechos em que eu cai na risada. Em outros, tive ódio do Ramon... é muito bom quando um texto provoca essas emoções no leitor. É sinal de que conseguiu atingir seu objetivo e estabeleceu um canal de comunicação eficiente. | Sinto-me feliz que tenha tido essas emoções, pois sim, foi o que quis passar nesse capítulo inicial. Até porque, nos próximos, outros personagens "roubarão" a cena...
| Citação: | Parabéns. Excelente texto, tanto na forma quanto no conteúdo.
Que venham os próximos (e imperdíveis) capítulos.
Abraços. | Muito obrigado "brima" Nery!! _________________
REVOLT: No ar o capítulo #18.
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Gustavo Levin Escritor

Registrado em: Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2006 Mensagens: 658 : Localização: Porto Alegre - RS
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Enviada: Dom Mar 25, 2007 9:42 pm Assunto: |
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Anderson, finalmente li a primeira parte da sua mini-série!
Está simplesmente sensacional. Consegui imaginar todas as cenas do capítulo, e não pude deixar de me lembrar daqueles filmes do Antonio Banderas em que ele era um Mariachi.
E o grande dilema que aparece é: será que Ramon realmente matou o Super Justiça? Considerando o modo como você descreveu que o herói estava, provavelmente ele já estivesse morrendo ou perdido suas energias. Então o tiro de Ramon talvez não tenha feito diferença.
Enfim, é óbvio que você não dar essa resposta tão cedo. Mas parece realmente alguma armação pra cima do Ramon (talvez criada pelo próprio Super-Justiça para ajudá-lo, quem sabe).
Continue assim que eu quero ler logo a segunda parte! _________________ CONEXÃO GATE - VOLUME 2: FINAL: BARNES E GATE CARA-A-CARA!
Echelon #23: Adriana encara o jogo final contra o Grupo! |
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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Seg Mar 26, 2007 12:01 am Assunto: |
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| Gustavo Levin escreveu: | | Anderson, finalmente li a primeira parte da sua mini-série! | Opa!
| Citação: | | Está simplesmente sensacional. Consegui imaginar todas as cenas do capítulo, e não pude deixar de me lembrar daqueles filmes do Antonio Banderas em que ele era um Mariachi. | Você fala de "A Balada do Pistoleiro" e "Era Uma Vez no México"... sem contar o filme original, "El Mariachi", o primeiro da carreira do diretor Robert Rodriguez. Bem, a homenagem a essa série de filmes está clara!
| Citação: | E o grande dilema que aparece é: será que Ramon realmente matou o Super Justiça? Considerando o modo como você descreveu que o herói estava, provavelmente ele já estivesse morrendo ou perdido suas energias. Então o tiro de Ramon talvez não tenha feito diferença.
Enfim, é óbvio que você não dar essa resposta tão cedo. Mas parece realmente alguma armação pra cima do Ramon (talvez criada pelo próprio Super-Justiça para ajudá-lo, quem sabe). | É muito legal ver que as especulações já começam a surgir! São muitas hipóteses que podem ser tiradas a partir daí... Porém a verdade só no último capítulo!
| Citação: | | Continue assim que eu quero ler logo a segunda parte! | Opa... não percam a segunda parte na próxima semana! _________________
REVOLT: No ar o capítulo #18.
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Tom Slash Escritor

Registrado em: Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2006 Mensagens: 604 : Localização: São José - SC
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Enviada: Qua Mar 28, 2007 5:43 pm Assunto: |
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Depois de um bom tempo, finalmente consegui ler Um Novo Homem e claro, não me decepcionei. Grande Aracnos, parabéns pelo capitulo cara, muito bom mesmo!!
Toda a ambientação, descrição e esse estilo de narrativa ficaram sensacionais. Nosso personagem principal é praticamente uma descrição de uma pessoa viva, de tão real que ficou.
Super Justiça e Grimm's Gang também ficaram bem legais, apesar de não aparecerem tanto. O mais interessante desse capitulo é que pela primeira vez as pessoas comuns do UNF tem a oportunidade de ver os super heróis e você os retrata muito bem. Parabéns.
Esperando ansiosamente pelo próximo capitulo
abraços _________________ Combates #22 - O Tempo
Já está online
Após quase dois anos, o passado torna-se presente novamente... |
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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Sáb Mar 31, 2007 5:43 pm Assunto: |
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| Tom Slash escreveu: | | Depois de um bom tempo, finalmente consegui ler Um Novo Homem e claro, não me decepcionei. Grande Aracnos, parabéns pelo capitulo cara, muito bom mesmo!! | Valeu Tom! Fico feliz que tenha gostado!
| Citação: | | Toda a ambientação, descrição e esse estilo de narrativa ficaram sensacionais. Nosso personagem principal é praticamente uma descrição de uma pessoa viva, de tão real que ficou. | Ainda bem que todos estão gostando da ambientação e narrativa... há tempos venho querendo aplicar esse estilo narrativoem algum título... Ainda bem que o resultado está satisfatório...
| Citação: | | Super Justiça e Grimm's Gang também ficaram bem legais, apesar de não aparecerem tanto. O mais interessante desse capitulo é que pela primeira vez as pessoas comuns do UNF tem a oportunidade de ver os super heróis e você os retrata muito bem. Parabéns. | Agora que você falor Tom, é verdade. Nesse capítulo temos pela primeira vez a visão de pessoas comuns sobre um super-herói popular, ou seja, que não se esconde nas sombras. Até então, todas as séries mostraram o ponto de vista dos heróis, ainda marginalizados. É a grande revolução pós Alvorada dos Heróis...
| Citação: | Esperando ansiosamente pelo próximo capitulo
abraços | Valeu Tom! O 2º capítulo sairá em poucas horas... _________________
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Aracnos Escritor

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Enviada: Sáb Mar 31, 2007 6:00 pm Assunto: Re: Um Novo Homem - parte 1 de 4 - Estréia!! |
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Um Novo Homem
Universo Nova Fronteira
Por: Anderson Oliveira
Parte 2
10 LIÇÕES PARA SE TORNAR UM VILÃO
LIÇÃO 3: Tenha capangas.
— É aqui?
— Deve ser...
— Não parece um quartel general de super-vilões.
— Talvez seja exatamente essa a idéia! — diz José Gonzáles acompanhando seu irmão que resolveu procurar a Grimm’s Gang. Os dois estão diante de um prédio abandonado no centro da Cidade do México. O endereço estava no bilhete que Ramon recebeu junto com presentes. O prédio está em situações deploráveis, condenado para ser implodido em breve, com fiações soltas, infiltrações e manchas de incêndios. — Vamos lá, vamos entrar. — José vai na frente, Ramon continua parado, devidamente disfarçado com um boné, óculos escuros e uma blusa com touca. José bate na porta de ferro. Após alguns segundos uma portinhola se abre e alguém mete a cara pra fora dizendo:
— O que quer?
— Diga que Ramon Gonzáles está aqui. — responde José.
— Ramon Gonzáles? — o porteiro disse com surpresa. Em seguida fechou a portinhola, deixando José e Ramon confusos. Quando José ia novamente bater na porta o porteiro a destrancou e apareceu agora de corpo inteiro, com um jornal na mão e um sorriso de satisfação: — Vamos, entrem! É um prazer ter o senhor aqui, senhor Ramon! — ele disse para José, este respondeu:
— Ele é o Ramon, eu sou o irmão dele.
— Ah, mil perdões, senhor! — disse o porteiro muito exaltado. — Me perdoe mesmo, por favor. Entrem, o chefe quer vê-lo logo. O senhor e seu irmão serão muito bem tratados aqui.
Com um largo sorriso, o porteiro deu três passos para trás e abriu caminho para os irmãos Gonzáles passarem. Ramon primeiramente estranhou a pouca idade do porteiro, parecia um garoto, no máximo treze anos. Fora suas roupas, alguns farrapos coloridos que fazia parecer um palhaço da idade média. Ramon lembrou-se de certos desaparecimentos de meninos que estavam acontecendo. Seria este um dos Meninos Perdidos? Enquanto assim pensava não percebeu que já estava dentro do prédio. Pelo lado de dentro era tão sujo e abandonado quanto por fora.
— Venham comigo! — disse o menino porteiro, indicando que eles deveriam subir as escadas. Não vendo outra opção os dois o seguiram. Subiram cerca de três andares até entrarem em uma sala ampla, conservada, com boa iluminação e cheia de pessoas. Uns vinte indivíduos, todos membros da Grimm’s Gang. Isso podia se perceber por usarem roupas exóticas que lembram personagens de contos de fadas. Tais pessoas, ao verem dois homens estranhos chegarem ao seu refúgio primeiro ficaram sobressaltados, mas vendo o sorriso do menino porteiro logo deduziram de quem se tratava.
— Será ele? — cochichou uma garota jovem e bonita, de vestido justo com babados verdes e brancos, seus cabelos eram dourados e cheios de cachinhos. Porém o mais inusitado era que ela estava deitada no colo de um filhote de urso pardo verdadeiro, aparentemente manso e sossegado.
— Qual dos dois será? — questionou um rapaz gordo aos dois irmãos, ambos também gordos e rosados que faziam lembrar três leitões.
— Ele deve ser o mais alto! — comentou um rapaz vestido com macacão azul e usando um chapéu típico dos alemães e com manoplas e botas de madeira muito estranhas. Porém sua maior característica era seu enorme nariz.
— Não acreditem no filho do carpinteiro! Sabemos que ele só diz mentiras! Deve ser o de óculos! — tomou a palavra uma garota loirinha e baixinha, salpicada de sardas e com redondos olhos azuis. Ela usa um vestido de lona verde e jaqueta de couro preto e traz às costas asas de borboleta feitas de plástico translúcido. Ela se pôs na frente dos irmãos Gonzáles e do porteiro.
— Diga ao chefe que ele está aqui. — falou o porteiro. Logo a garota fez tocar um sininho que tirou do bolso da jaqueta. Atrás dela, uma grande porta se abriu. — Entrem, dessa porta não sou autorizado a passar. — assim os irmãos cruzaram a porta deixando todos para trás, com olhos curiosos com um misto de medo e satisfação.
Atrás da porta a sala era escura. Isso forçou Ramon a tirar seus óculos, mas mesmo assim sua visão ainda era sombria. Então se acendeu uma luz na frente deles. Parecia uma vela ou lamparina. Mas logo a luz cresceu e revelou se originar nas mãos de uma mulher. A tal ponto em que a luz se espalhou pela sala de uma forma mágica, Ramon e José conseguiram ver como a mulher era linda, mesmo do alto dos seus quarenta e tantos anos, era uma bela morena com olhar firme e traços majestosos. Atrás dela havia um grande espelho, com moldura decorada em puro mogno.
— Você é o Espelho? — perguntou José a mulher.
— Não, sou apenas sua guardiã. — ela respondeu com uma voz sensual e ao mesmo tempo autoritária. — O Espelho os espera do outro lado.
— Outro lado? — perguntou José.
— Sim. Venham. — então a mulher se virou. Os irmãos não puderam resistir e fixaram seus olhos em seu grande traseiro vistoso sob a calça apertada que ela usa. Mas logicamente ela percebeu isso, olhando seus rostos através do espelho. Ela sorriu. Ser admirada a deixa muito contente. Mas logo voltou suas atenções ao seu trabalho, e então estendeu suas mãos e tocou a superfície lisa do espelho. Antes que os irmãos pudessem imaginar qual era a sua intenção, eles viram suas mãos afundarem no vidro, que agora parecia líquido como por mágica. Assim a mulher foi entrando no espelho. — Sigam-me. — e eles, ainda com medo de estarem loucos, seguiram, pois não havia outra escolha.
Atravessando o líquido, frio como gelo e viscoso como cola, Ramon e José se depararam com uma sala muito maior e muito mais rica, com o teto decorado com afrescos e anjos de ouro, paredes com carpetes vermelhos e quadros renascentistas e móveis de valor incalculável. De uma grande janela podiam-se ver montanhas nevadas e pastos verdejantes que lembrava alguma cidade na Alemanha, Suíça ou Áustria. Contrastando com isso, havia na sala muitas telas de plasma e computadores ligados exibindo fotos de satélites e códigos indecifráveis por aqueles dois mariachis semi-analfabetos. Saindo do líquido, perceberam que saiam de um outro espelho, este muito maior, indo do chão até o teto e mais rico, com moldura de ouro e prata. Dividido em três seções onde cada divisão se dobra num ângulo de vinte graus, de modo que quem estiver de frente para a seção do meio verá três imagens suas, uma em cada seção.
— Bem-vindo Ramon Gonzáles... e seu irmão. — disse uma voz de homem que parecia ecoar por toda a ampla sala. — Não se assustem, eu estou bem aqui. — os dois se voltam e viram, dentro do espelho, um homem vestindo um manto negro, desde o capuz que cobre boa parte de seu rosto até os pés.
— Você é o Espelho? — perguntou José, fingindo certa normalidade.
— Evidentemente. — Espelho respondeu com um aceno de cabeça para José, depois se voltou para Ramon dizendo: — Senhor Gonzáles. Eu, em nome de minha organização, tinha que lhe dar meus parabéns por ter sido capaz de tirar a vida daquele que nos últimos tempos se tornou uma pedra em meu sapato. Super Justiça vinha atrapalhando as operações dos meus agentes em todos os cantos do mundo, chegando até a destruir uma Célula em Madri. O senhor prestou um grande serviço para nós e nossos negócios, por isso eu gostaria de recompensá-lo da forma adequada.
— Recompensa... isso é interessante! — disse José. Espelho o olhou com estranheza.
— Pois bem — continuou Espelho —, primeiramente pensei em oferta-lhe alguns milhões de euros como recompensa. — ao ouvir tal sentença José sentiu seu coração subir para a boca e Ramon também não pode disfarçar a emoção. — Contudo, creio que isso não é o bastante... penso que nós dois podemos nos ajudar mutuamente.
— Como assim? — disse Ramon, abrindo sua boca pela primeira vez em algum tempo.
— Eu tenho alguns poderes. O maior deles é conceder aos que me procuram um dom especial. Assim minha organização, chamada pela mídia de Grimm’s Gang, conta com agentes com distintos poderes. Mas nenhum deles deve ter o poder que o senhor tem. O poder de acabar com um grande herói. Por isso, senhor Ramon, gostaria que entrasse para minha organização, como líder de uma Célula, para levar meus agentes a um novo nível de excelência. Assim irá lucrar muitos numerários, muito além dos milhões de euros que lhe ofertarei, e assim eu também ganho com alguém tão forte como o senhor ao meu lado. O que me diz?
Ramon olhou para José. Este, com os olhos parecia dizer “está esperando o que, seu idiota? Aceita logo isso!”, mas Ramon, o velho Ramon de sempre, é lerdo para tomar qualquer decisão. Veja Ramon, eis a chance de ser alguém na vida. Milionário e mais rico a cada dia, com uma legião de super-seres aos seus pés dispostos a fazer o que você mandar. Respeito que nunca antes tivera. O que ainda está pensando, Ramon? Ah, claro... você seria um bandido... um ladrão... um mafioso. Mas, veja, você é temido e respeitado por ser um assassino, que é coisa pior. Por que não ser logo ladrão e mafioso e assim ter mais poder e respeito? O que acha?
— Eu... aceito.
— Excelente. — Espelho sorriu. — Minha rainha, conduza-os de volta ao México. — disse à bela mulher que logo fez o vidro sólido se tornar líquido e por ele passou, sendo seguida pelos irmãos Gonzáles. Do outro lado, no prédio do México, Ramon e José saíram e logo foram conduzidos através da porta que lacra a sala do espelho. A mulher ficou na sala, sozinha.
— Tens certeza de que fez a coisa certa, espelho meu? — disse ela olhando para o espelho. Logo o rosto de Espelho apareceu refletido e esse disse:
— Por que me tomas?
— É que... se ele fez o que fez, ele é mais poderoso que ti, e tão logo poderá ser uma ameaça.
— Sei o que faço, minha rainha. Lembra como resolvi o problema com sua enteada? Com aquela marca em seu rosto ela não é mais bela do que ti, e agora me serve com lealdade.
— E o que tem a ver isso?
— Para que nos livrarmos das ameaças quando podemos fazê-las peões? — Espelho sorriu. A mulher compreendeu suas palavras e também sorriu.
LIÇÃO 4: Cometa crimes que o deixem famoso.
Ramon e José saíram na sala com um certo ar triunfante, como se voltassem vitoriosos de uma batalha. Os bandidos que lá esperavam, curiosos e ansiosos por alguma resposta, fitavam os dois com olhares famintos. A menina com asas de fada era a única que parecia estar a par dos acontecimentos, como se ela tivesse mais poderes que os outros que ali estavam. Não digo poderes de ordem física, mas de ordem hierárquica. Com seus encantadores olhos azuis ela encarou Ramon e José até perceber o sorriso crescente em seus lábios. Então, voltando-se para os outros ela disse com entusiasmo:
— Galera! Conheçam seu novo líder! — em seguida todos vibraram com alegria. Para aqueles criminosos exóticos, ter o assassino de um grande herói como chefe seria muito gratificante. Enquanto batiam palmas e assobiavam, a menina-fada conduziu os irmãos Gonzáles até um andar superior enquanto nas escadas ia conversando: — a Célula do México estava sem líder desde que Lupus Malvinos foi banido.
— Banido? — disse José.
— Sim, parece que ele teve desentendimentos com o Espelho, que controla todas as Células lá da Alemanha. Lupus era muito forte, mas também muito folgado, do tipo que não aceita ordens... Ele queria até enfrentar o Espelho, mas sua própria namorada interferiu. Pobre da Red-Charlie... — a menina parou entre os degraus e falou em voz baixa: — Dizem que Lupus tinha o costume de vestir as roupas da avó dela... Mas bem, agora que o senhor está entre nós, iremos prosperar muito mais que a Célula de Paris ou a de Nova York!
— Como funcionam essas Células? — perguntou Ramon, ao passo que os três chegavam a um escritório.
— Espelho nos recruta e nos manda para turnos em Células em cada lugar do mundo. Aqui passamos uma temporada e depois ele nos manda para outro lugar. Isso deixa as autoridades perdidinhas! Mal posso esperar para voltar para Amsterdã! Bem, chegamos ao seu escritório... Ai, que cabeça a minha, nem me apresentei! Pode me chamar de Sinin! — Sinin parou na porta do escritório e fez silêncio, apenas esperando que Ramon fizesse algo, que desse alguma ordem. Ramon, por sua vez, nem imaginava o que um líder da Grimm’s Gang deveria fazer. José, percebendo a situação e se usando da sua malandragem, tomou a palavra dizendo:
— Tem aí os relatórios das últimas ações do grupo?
— Claro! Deve estar nessa bagunça. — Sinin entrou na sala e vasculhou os muitos papeis e encontrou, escrito à mão em folhas de caderno, anotações sobre assaltos, seqüestros, atentados e tudo mais que a gangue deveria fazer. José observou a lista e encontrou um item sem nenhuma marca, como se ainda não tivesse sito concluído. Tal item era: Diamante Rubro. Sinin também viu o item e começou a explicar: — O roubo do Diamante Rubro em exposição no Museu Municipal ainda não foi executado por culpa da expulsão de Lupus...
— Então vamos executar agora. — disse José. — Sinin, chame os melhores agentes que tiver e traga esse diamante... — Sinin consentiu com a cabeça e já ia saindo quando José acrescentou: — E faça as autoridades saberem que foi Ramon Gonzáles quem mandou. E isso é apenas o começo. — Após a menina sair José abriu seu sorriso cafajeste e se esparramou no sofá de couro enquanto Ramon ficou parado, sem entender o que tinha acontecido. — Não se preocupe com nada, irmão. Não se preocupe.
Apesar das palavras tranqüilas de José, Ramon começava a se preocupar. Verdadeiramente ele não conhecia esse lado de seu irmão. Claro que ele sabia que José não era nenhum coroinha, já que ele gostava de noitadas em mesas de jogos, pequenos golpes e truques, mas daí até comandar um assalto grandioso como esse é um salto e tanto. Após pensar um pouco, Ramon resolveu ocupar a mesa do escritório e examinar a papelada que lá estava, como se ele entendesse de administração. A única coisa que compreendeu foi um relatório de lucros e a partilha entre os membros da Célula. Era simples: 50% do arrecadado ia diretamente para o Espelho, 30% ficava com o líder da Célula, sendo 25% destinado aos seus lucros pessoais e 5% destinado a manutenção da sede da Célula. Os outros 20% era divido entre os agentes. Fora que os agentes tinham que pagar uma mensalidade, e caso faltassem com o pagamento ou não atuassem mais em missão, seriam riscados da gangue. Agora como era feito isso Ramon não conseguiu descobrir.
Horas depois, já na noite alta, saiu do prédio a menina Sinin, acompanhada da garota do urso, chamada de Carina Goldlocks, só que agora sem o urso, e mais um rapaz que não estava na sala junto com os outros agentes. O rapaz é alto e loiro, vestido de casaco verde e que atende pelo nome de Jack Beans. Os três entraram em uma van e minutos depois estavam no Museu Municipal da Cidade do México. Os guardas da portaria não terão crédito, quando dias depois acordarão no hospital dizendo que três ursos saídos não se sabe de onde comandados por uma menina, os atacaram na porta do Museu. Claro que suas pernas decepadas, costas mordidas e arranhadas servirão de prova do fato, mas daí a se crer que três feras selvagens os atacaram ao comando de uma linda moça é muito forçado.
Depois de entrarem, já na sala onde o Diamante Rubro estava exposto, Sinin tirou da jaqueta um saquinho, e do saquinho tirou um fino pó que espalhou em sua mão, depois o soprou ao vento. O pó se espalhou por toda a sala e revelou inúmeros feixes de lasers cruzando o recinto. Em seguida Jack Beans estendeu a mão e da manga de seu casaco saiu um ramo vegetal que crescia como uma erva trepadeira. Tal ramo passou por entre os feixes de laser e logo encontrou a redoma onde repousa o diamante.
Exibindo grande concentração, Jack comandou sua planta para que ela removesse a redoma com cuidado, em seguida outro ramo do vegetal, saído de sua outra manga, pegou o diamante o enrolando em suas folhas e o trouxe para as mãos de Jack. O Diamante Rubro. Uma pedra de coloração avermelhada, como sugere seu nome, do tamanho de uma noz e de valor exorbitante. Com o produto do roubo em mãos, só restava a próxima etapa da missão. Na saída, Sinin espalhou um pouco do seu pó sobre si e, magicamente, alçou vôo ficando sobre a fachada do prédio. Depois sacou uma lata de spray e pichou a seguinte frase: “Cortesia da Grimm’s Gang e de Ramon Gonzáles”. Terminado isso, os três voltaram para o carro.
LIÇÃO 5: Tenha fortes inimigos.
Os jornais do dia seguinte não vinculavam outra notícia senão o audacioso roubo orquestrado pelo perigoso Ramon Gonzáles. Agora além de assassino ele era gangster, ladrão e sabe-se lá mais o quê. Talvez terrorista, estuprador, pedófilo, canibal, ativista racista, caçador de baleias, profanador de templos cristãos, etc... Não demoraria e a imaginação das pessoas trataria de atribuir-lhes novos adjetivos. Passavam-se os dias, os meses, e ao seu comando a Grimm’s Gang roubava bancos, seqüestrava aviões, destruía prédios públicos... Claro que as idéias vinham de José, mas era Ramon quem levava os louros da fama. E a polícia do México não sabia mais o que fazer. O povo o temia e com suas fofocas fazia sua fama crescer ainda mais. De repente Ramon Gonzáles foi acusado de planejar aquele incidente em Israel meses atrás[1]. Apesar da maioria de especialistas sérios descartarem essa hipótese.
José teve a brilhante idéia de divulgar vídeos onde Ramon aparecia ao mundo fazendo ameaças, ao estilo dos vídeos de terroristas do Oriente Médio. O tom sombrio das filmagens, sempre deixadas após grandes roubos e atentados, criava uma figura assustadora de Ramon. A sombra do seu nariz projetada de cima para baixo fazia parecer que ele tinha um bigode pequeno que muito lembrava Adolf Hitler.
O assassino de Super Justiça se tornava uma ameaça mundial. Nações passaram a reforçar a segurança nos aeroportos temendo que ele entrasse em seus territórios. O presidente dos Estados Unidos rapidamente o declarou o inimigo número um da humanidade. E enquanto tudo isso acontecia no mundo externo, Ramon, assessorado por José, desfrutava do luxo que o dinheiro lhe trazia. Hoje, cinco meses após a morte de Super Justiça, Ramon vive em uma mansão em Cancun, como um nome falso, obviamente, escondido do mundo que o caça, cercado por ouro e conforto numa praia particular e com belas mulheres a sua disposição. Enquanto José aproveita tudo aquilo, Ramon sente-se amargurado por algum motivo que nem ele mesmo podia compreender. Na varanda, tocando um lindo violão que mandou comprar, ele sente saudade da sua vida antiga. Como estarão Guadalupe e Inezita? Ele vive pensando nelas.
Enquanto sua fama de super-vilão crescia mundialmente, ele ganhava seguidores. Houve uma cisão na Grimm’s Gang. Uma grande parcela de agentes de menor escalão veio de todo mundo para servir Ramon. Com uma lealdade canina os criminosos queriam a qualquer custo servir o mais perigoso e poderoso vilão da história. Isso despertou a ira de Espelho. Ele viu Ramon lhe tirar seus agentes e com isso viu seus cofres se esvaziarem. Ao lado de Espelho ainda lhe restavam seus agentes mais graduados, entre eles sua bela rainha, que meses atrás lhe advertiu que Ramon poderia ser uma ameaça. Como Espelho se arrepende de não ter lhe dado ouvidos.
— A Grimm’s Gang está reduzia a pouco mais de cinqüenta agentes enquanto Ramon Gonzáles tem a sua disposição mais de dois mil homens. Como isso me deixa aborrecido! — diz Espelho consigo mesmo, em sua sala na Alemanha.
— Espelho meu — a rainha entra na sala acompanhada de três outras mulheres —, creio que sei como reverter essa situação. — Espelho olhou para as três que chegavam. Ele as conhecia muito bem. A primeira é jovem e bonita com seus cabelos loiros enfeitados com uma tiara, vestida de azul e com botas de cristal, atende pelo nome de Cindy. A segunda tem cabelos pretos e curtos, sua pele é pálida como a neve das montanhas, traz no rosto uma cicatriz feita a ferro quente e veste-se de preto, seu nome é Bianca. A última tem cabelos castanhos, com óculos e uma boina vermelha, vestida como colegial de sex-shop, trazendo consigo uma maleta, ela é Red-Charlie.
— No que elas podem me ajudar? — pergunta Espelho.
— Encontramos Lupus Malvinos. — diz Cindy.
— E no que aquele insolente pode me servir?
— É melhor o senhor ouvir o que ele tem a dizer. — concluiu Red-Charlie.
Espelho sorriu.
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[1] - Tal incidente em Israel pode ser acompanhado na maxi-série Alvorada dos Heróis.
Fim da parte dois. _________________
REVOLT: No ar o capítulo #18.
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Will Costa UNF Amigão

Registrado em: Domingo, 22 de Outubro de 2006 Mensagens: 198 :
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Enviada: Sáb Mar 31, 2007 9:52 pm Assunto: |
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Poxa, Anderson, eu estou dando sorte.
Já é a segunda vez que sou o primeiro a postar pra comentar teu capítulo.
Esta segunda parte, na minha opinião está melhor que a segunda.
A narrativa continua ótima como sempre, mas adorei a adaptação dos contos de fadas que você fez.
Viajei, vendo as referências. Já tinha percebido isso no primeiro capítulo, mas achei que era só coincidência, nem me toquei que você ia se aprofundar mais.
Influência de FÁBULAS?
No mais, Ramon foi só coadjuvante neste capítulo, mas o seu irmão está cada vez mais ficando sinistro.
Parabéns, mesmo. Não vejo a hora de ver a conclusão dessa história. _________________
Já está no ar o segundo capítulo de Garlok. MEDO DE MASCARADOS. Confiram! |
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Aracnos Escritor

Registrado em: Domingo, 29 de Janeiro de 2006 Mensagens: 859 : Localização: Itaim Paulista, São Paulo SP - Brasil
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Enviada: Sáb Mar 31, 2007 10:19 pm Assunto: |
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| Will Costa escreveu: | Poxa, Anderson, eu estou dando sorte.
Já é a segunda vez que sou o primeiro a postar pra comentar teu capítulo. | Está com sorte mesmo, Will! Vamos ver como isso ficará nas próximas semanas!
| Citação: | Esta segunda parte, na minha opinião está melhor que a segunda.
A narrativa continua ótima como sempre, mas adorei a adaptação dos contos de fadas que você fez.
Viajei, vendo as referências. Já tinha percebido isso no primeiro capítulo, mas achei que era só coincidência, nem me toquei que você ia se aprofundar mais.
Influência de FÁBULAS? | Uma coisa tenho que admitir: a Grimm's Gang acaba roubando a cena. Foi tão legal criar esses personagens, com suas características, imaginando todas as possibilidades, enchendo cada linha com citações que no final das contas transformei a mini em um grande e moderno Conto de Fadas. Ramon mesmo assume, a cada momento, caracteristicas de um personagem (irei fazer um artigo explicando isso no término da mini) e não é à toa que a história começa com um "Era uma vez [no México]", uma dupla referência, aos contos de fadas e ao filme de Robert Rodrigues.
E não. Fábulas não me serviu de influência, mas eu sabia que logo alguém iria citá-la... Não li essa série, só vi algumas resenhas na Wizard, achei muito interessante, mas nem lembrei dela quando comecei a escrever... só lá pelo final é que me dei conta que poderia trazer alguma semelhânça. O que é pouca, pois pelo que sei, em Fábulas são oo próprios seres dos contos exilados em um mundo real... aqui, os criminosos são caras comuns que - devido aos poderes que ganharam do Espelho - assumiram a identidade de um personagem.
| Citação: | | No mais, Ramon foi só coadjuvante neste capítulo, mas o seu irmão está cada vez mais ficando sinistro. | Realmente Ramon ficou de lado, o que não é novidade em sua vida miseravel. E foi necessário, para apresentar a Grimm's Gang e para José crescer mais um pouco. Fiquem de olho nele!
| Citação: | | Parabéns, mesmo. Não vejo a hora de ver a conclusão dessa história. | Valeu Wilson! Eu acho que você irá se surpreender com o final da mini!  _________________
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alexnery Site Admin

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 602 : Localização: Belém-Pará
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Enviada: Sáb Mar 31, 2007 11:21 pm Assunto: |
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Grande Aracnos,
Excelente capítulo!
A Grimm's Gang é um conjunto rico de personagens. Adaptações bem criativas realmente. Com certeza podem, e devem, render outras ótimas histórias.
Ramón, mais pateta impossível. Caracterização perfeita. Assim como José, um aproveitador de primeira.
O Texto: muito bem escrito. As sacadas irônicas (e cômicas) estão muito bem situadas. Ri bastante lendo. A maneira como as coisas se precipitam e "empurram" os personagens é trágica e cômica ao mesmo tempo, e bem mostrada no texto.
Enfim, sem ter mais o que elogiar, parabéns! Muito bom, realmente.
Abraços.
PS: Comecei a torcer pro Ramón conseguir se safar dessa, hehehe... _________________
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