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alexnery Site Admin

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 602 : Localização: Belém-Pará
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Enviada: Qua Jan 16, 2008 7:42 pm Assunto: Nexo - Capítulo 10: Veneno - A Hidra |
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Nexo - Capítulo 10: Veneno - A Hidra
Por Alex Nery
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No capítulo anterior: Bruno e Fernando são visitados por um dos sobreviventes do desabamento da Escola. O menino afirma que ele e os outros que conseguiram escapar da morte vêm tendo sonhos idênticos e horríveis. Bruno diz que precisa reunir os sete sobreviventes na escola, Fernando se irrita e diz que isso não seria bom para resolver os traumas dessas crianças. Após a saída do menino, Bruno revela que eles estão além de qualquer ajuda, pois estariam mortos.
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Rio de Janeiro – Bairro do Botafogo - Escola Estadual Prof. Armando Nunes – 23:30 h.
Foi um longo dia. Bruno, seguido por Fernando, reuniu-se com o diretor da escola e lhe informou do plano de reunir os sobreviventes na escola naquela mesma noite, a fim de realizar uma “terapia de grupo” para ajuda-los a superar o trauma do desabamento e da morte dos colegas. O diretor recusou-se a aceitar isso, mas quanto mais Bruno falava, mais ia modificando a opinião do homem. Fernando observava indignado Bruno utilizar expressões médicas com o único intuito de enrolar o diretor.
Por fim, o diretor aceitou e pouco reclamou quando Bruno disse que os sobreviventes deviam vir sozinhos, sem nem mesmo a companhia dos pais. Fernando pensou em ligar para Salomão e informar o chefe do andamento (ou “desandamento”?) das coisas, mas pensou melhor e não quis ser o mensageiro das más notícias.
Agora, a escola voltava a calmaria. Os últimos alunos da noite já haviam saído. Os dois médicos do Nexo estavam reunidos com os sete sobreviventes na sala do diretor. Os garotos se olhavam de maneira constrangedora.
Marcelo, o garoto que os visita pela manhã no hotel, esfregava as mãos ansioso. Ao seu lado, Meriam, sua namorada, mantinha a cabeça baixa. Sonia, a mais bem vestida do grupo, bufava, deixando claro seu contragosto em estar ali. Arthur e Amanda dividiam um mp3 player. Pedro permanecia de olhos fechados, como se estivesse concentrado em algo distante, enquanto a professora Ruth os observava em pé.
- Acredita que pode nos ajudar a não ter mais esses sonhos horríveis? – pergunta Ruth para Fernando.
- Faremos tudo o que pudermos, prometo – a promessa de Fernando era sincera, mas ele mesmo não sabia de que forma os estranhos procedimentos de Bruno poderiam ajudar àquelas pessoas visivelmente perturbadas. O psiquiatra olha para Bruno, na esperança de ver algum sentido no rosto do colega.
Bruno permanece em pé na porta do escritório, observando o terrivelmente familiar pátio da escola. As lembranças fantásticas da noite anterior ainda permaneciam vívidas em sua mente. Apesar do calor da noite, o suor que escorre por seu rosto é excessivo. Fernando se aproxima de Bruno e sussurra:
- O que pretende fazer, agora que reuniu todos eles?
- Pretendo fazer com que aquela criatura profana desapareça pra sempre – responde Bruno olhando Fernando rapidamente.
- Ah, a intenção é ótima, mas qual o PLANO? – Fernando não consegue deixar de ser irônico, pois está cansado de andar às cegas.
- ...
O silêncio de Bruno deixa Fernando mais irritado ainda e, se estivessem a sós, provavelmente o psiquiatra não deixaria as coisas assim. Porém, devido à presença dos garotos e da já assustada professora, ele apenas se afasta de Bruno e observa o pátio pela janela.
- Ei, estamos aqui dentro! Por que olham lá pra fora? – pergunta Sonia, indignada.
- Sim, eu quero ir pra casa! – protesta Meriam.
Bruno permanece apático, como se estivesse em outro lugar. Fernando percebe que cabe a ele a tarefa de manter os demais calmos. Ele puxa uma cadeira e se senta, encarando os garotos. Com um gesto de cabeça, indica uma cadeira para a professora também, mas ela recusa e permanece de pé. Neste momento, ela parece tão perdida quanto qualquer um dos adolescentes.
- Reunimos vocês aqui para que possam nos contar tudo o que está acontecendo com cada um de vocês – diz Fernando com voz calma. – Acreditamos que, se vocês se abrirem conosco, nos contando o que se passa, por mais absurdo que pareça, poderemos ajuda-los.
- Conversa fiada... – murmura Arthur, retirando o fone do mp3 do ouvido.
- M-mas, Arthur... É difícil ficar calada sobre essas coisas estranhas... – diz Amanda.
- Talvez eles possam nos ajudar. Senão, quem poderia? – pergunta Pedro abrindo os olhos.
- Eles não podem nos ajudar. Somente um padre ou outro religioso poderia! – protesta Arthur.
- Um padre? Por que acha que um padre poderia ajuda-lo, Arthur? – pergunta Fernando.
O adolescente respira fundo e olha para os rostos de cada um dos amigos.
- Por que estamos sendo assombrados! ASSOMBRADOS, entende??? – grita Arthur.
Meriam começa a chorar. Marcelo a abraça carinhosamente, mas em seu rosto também só se percebe sofrimento.
- Cala a boca, idiota! Se tem alguém assombrado aqui é você! – grita Sonia.
- Calma, calma... – pede Fernando – Arthur, o que quer dizer com “assombrados”?
Arthur se agita na cadeira, mas permanece calado, como que arrependido de ter falado.
- Estamos tendo os mesmo sonhos... todos nós – diz Marcelo, atraindo a atenção de todos. – São sonhos horríveis e acho que estamos enlouquecendo...
- Sim... sonhos horríveis... – sussura Meriam – Neles, nós... nós...
- Matamos nossos amigos. Todos eles. – diz Amanda, com frieza arrepiante.
- Tenham calma... Todos vocês passaram por uma experiência terrível. Qualquer um de nós ficaria abalado, é natural que... – diz Fernando.
- “NATURAL” UMA MERDA! Nós estamos fodidos! – Grita Arthur.
- Fale por você mesmo... – diz Pedro, displicente.
Fernando olha para Bruno na esperança de que o colega de trabalho se manifeste e o ajude a encarar o grupo, mas este ainda está de pé observando o pátio. Devido a imobilidade do outro médico, Fernando diz:
- Bruno, você poderia...
Bruno arregala os olhos em pânico e, mergulhando no chã, grita:
- ABAIXEM-SE!!!
Ninguém tem tempo de reagir. Um monstruoso tentáculo amarelo varre o escritório, destruindo a parede, atravessando-o de ponta a ponta. Os destroços caem sobre todos, e todos gritam aterrorizados. Um pedaço pequeno de concreto atinge a cabeça de Fernando com violência, jogando-o para o lado. Os adolescentes se jogam ao chão.
Mesmo com a vista turva, Fernando consegue identificar os seis alunos no chão e Bruno caído mais adiante. Apavorado ele procura pela professora.
Girando no chão, ele a encontra. Ela permanece de pé e, de maneira impossível, não foi atingida pelo tentáculo. Seu rosto equivale a uma página em branco, onde não é possível identificar nenhuma emoção.
O tentáculo recua e oscila sobre os destroços do bloco que desabara meses antes. Mais seis tentáculos surgem desses destroços e serpenteiam pelo ar noturno. A professora caminha calmamente, atravessando o que restara da sala do diretor e encaminha-se para a origem dos tentáculos.
- Professora, NÂO!!! – grita Fernando, tentando levantar-se.
Súbito, Fernando sente algo agarrar sua perna, impedindo-o de se mover.
- É tarde para ela, Fernando! A professora não existe mais! – grita Bruno segurando a perna do psiquiatra.
- Me larga, Bruno! Aquela coisa vai pegá-la! – Fernando tenta se desvencilhar do colega.
- Não, é tarde dem...
Antes que Bruno conclua a frase, um dos tentáculos rodopia no ar e, com enorme velocidade, mergulha, cravando-se no peito da professora. A mulher estremece, mas não emite nenhum grito. A forma viscosa do tentáculo se remexe, forçando sua entrada no corpo da professora, como um verme que busca abrigo. Por fim, parecendo bem adaptado, ele ergue o corpo dela no ar, como uma boneca de pano.
- NÂÂÂÂÂOOOOO!!! – grita Fernando desesperado.
Bruno olha estarrecido a cena dantesca. Os adolescentes gritam e choram em pânico.
Subitamente, o tentáculo com sua mulher de brinquedo param de rodopiar. E a professora começa a falar num idioma desconhecido, primeiro sussurros, depois numa voz gutural entrecortada por gemidos.
Fernando, Bruno e os alunos ajoelham-se, procurando por proteção atrás do que sobrara das mesas e cadeiras da sala.
- Issss...shhhh...minha.... – geme a monstruosa combinação.
- Bruno, precisamos tirar os garotos daqui... REAJA pelo amor de Deus! – sussurra Fernando, trincando os dentes.
- Não podemos, Fernando... Precisamos deles pra expulsar esse demônio!! – diz Bruno.
- Olhe para eles, seu idiota! Eles vão morrer aqui!!! – insiste Fernando.
Bruno lança um olhar severo ao colega. Fernando pode ouvir novamente as palavras que Bruno dissera esta manhã no hotel:
“Não podemos ajudá-los porque eles estão mortos...”
Uma idéia desesperada surge na cabeça do psiquiatra.
- Garotos! Vou tentar atrair o monstro pro lado de lá – Fernando aponta para a esquerda – e vocês correm para a saída o mais rápido que puderem!
Os adolescentes concordam com choro e pânico mudo.
- Não faça isso, Fernando! – diz Bruno.
- Vá pro inferno! – pragueja Fernando.
Fernando agarra um pé de mesa que se soltara durante o ataque do tentáculo e se ergue devagar. Pé ante pé ele sai da sala, passando por cima do que havia sido a parede do escritório e começa a andar em direção à esquerda. O monstro balança o corpo da professora, que pende como uma boneca sem vida, tentando falar por sua boca.
- Isshh... Iiiissshhhh...
Os alunos amontoam-se, preparando-se para correr ao sinal de Fernando. De onde está, o psiquiatra pode ver Bruno tentando inutilmente convencer os garotos a ficarem parados.
- AQUI, MALDITO! – grita Fernando, atraindo a atenção do tentáculo-mulher.
O monstro gira a mulher morta no ar até se aproximar de Fernando. De repente é como se o demônio enxergasse através dos olhos dela. Ele mergulha e exibe o corpo da professora a pouco mais de dois metros de Fernando. A boca do cadáver se abre, deixando sair palavras arrastadas e molhadas com sangue.
- Isshhh.. minha... minha...
- Maldito! Malditoooo!!! – Fernando grita e bate a perna da mesa no chão, num gesto de desafio.
- Ellllaaaa... minha... minha... faz tempoooo... – diz o monstro.
O pânico e o horror da cena infernal invade Fernando e suas pernas bambeiam ameaçando lhe traírem.
- Elllaaaa pediuuuuu... minha... meuuu direitoooo... feeeezzzz paactoooo... – diz a criatura explodindo numa gargalhada insana com som de vidro partido.
- O quê?? Pacto??? Que pacto? – pergunta Fernando, ainda incrédulo que esteja dialogando com um demônio.
Bruno se ajoelha e observa a cena atentamente. Os garotos ameaçam correr, mas ele os detêm energicamente.
- Paaaaaaccctooo... Elaaaaa pediuuu... Não queriaaaaa morreeeerrrr... Estavaaaa sufocandooooo hahahahahahhaha...
- Oh, meu Deus... – murmura Bruno. As coisas ficavam mais claras. A professora devia ter feito um pacto com aquele demônio para não morrer no desabamento de meses atrás.
Discretamente, Fernando pisca para os adolescentes e eles começam a correr aos tropeções. Bruno ainda ergue o braço tentando detê-los, mas é em vão.
Antes que consigam avançar mais de dois metros em direção à saída, cada um é atingido por um tentáculo amarelo restante.
Todos são erguidos no ar, gritando horrivelmente. Marcelo bate no próprio peito, como se tentasse expulsar o tentáculo que invade seu corpo, mas é inútil. Sonia e Amanda são as primeiras a se calarem, enquanto têm suas vidas consumidas pela criatura demoníaca. Arthur grita e chora mas logo se cala. Pedro aceita o fim de maneira silenciosa. Seu corpo é contorcido para alojar o repugnante demônio.
- MEU DEEEEEEEEUUUUSSSSS!!!! – grita Bruno.
Fernando fraqueja de vez e cai de joelho no pátio. Bruno sai correndo em direção ao psiquiatra.
- Não pode fazer isso!!! NÃO PODE!!! A professora fez o pacto! Não tinha direito a alma deles!!! NÃO PODE!!! – protesta Bruno, como um advogado que lê o código civil das coisas sobrenaturais.
A monstruosidade gargalha pela boca da professora e, virando o corpo da mulher, encara Bruno. O demônio murmura:
- Nããooo foiiii sóóó elaaaaa...HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...
Agora a gargalhada parte das sete bocas mortas, ecoando por todo o colégio.
As lágrimas caem pelo rosto de Bruno. O desespero é palpável. Fernando olha para o colega e sente suas últimas esperanças se esvaírem.
De repente, as luzes brancas que foram vistas na noite anterior começam a surgir. Elas flutuam sobre os destroços e, ao percebê-las, o demônio tentacular tenta apanhá-las. Os corpos dos alunos e da professora erguem os braços e começam a agarrar as luzes, tentando rasgá-las ao meio.
- Bruno! Bruno! Temos que sair daqui! – grita Fernando.
- Não! Temos que destruir essa coisa!
- COMO?? – grita Fernando.
- As luzes! As luzes! – diz Bruno empurrando Fernando enquanto se levanta.
- Que tem as luzes? – pergunta Fernando.
Bruno alterna o olhar entre o demônio e Fernando.
- As luzes são o motivo dessa coisa estar aqui. Ela quer as almas das pessoas que morreram no desabamento! Os sete serviam de âncora! Trocaram suas almas por mais tempo de vida! – explica Bruno.
- Mas, como? Eles pareciam tão surpresos quanto nós!!
- A memória deles deve ter sido apagada... Uma brincadeira cruel do demônio. Não se barganha com essas criaturas sem pagar um alto preço.
- E agora, Bruno?
Bruno silencia. Uma luz corta seu olhar, como a manifestação visível de uma idéia.
- Vou tentar usar meu dom para orientar as almas, para fazê-las escapar! – diz Bruno.
- Vou distrair essa coisa! Vamos lá! – Fernando apanha novamente o pé de mesa e sai correndo para esquerda. Quando está chegando na rampa que leva ao segundo andar do colégio, começa a gritar, tentando atrair a atenção do demônio.
O tentáculo-professora percebe a movimentação do psiquiatra e se desloca em sua direção. No rosto morto da mulher, uma boca negra se abre num sorriso diabólico.
Bruno une as mãos, numa posição de prece, e começa a se concentrar. De início, nada acontece, porém, logo algumas luzes são atraídas e começam a girar em volta de seu corpo.
Fernando sai correndo pelo corredor escuro do segundo andar. Atrás de si pode ouvir os ruídos feitos pelo demônio, que ergue o corpo da mulher fazendo com que seus pés se arrastem no assoalho, dando-lhe a aparência de uma marionete macabra.
O psiquiatra do Nexo entra em uma sala e resolve aguardar a passagem da criatura para acertá-la em cheio. Suas mãos tremem enquanto aperta o pé de mesa. Aos poucos, os ruídos sibilantes do demônio podem ser ouvidos mais próximos.
No térreo, Bruno está totalmente concentrado e já existem cerca de vinte luzes rodopiando ao seu redor. Porém, a atividade não passa despercebida, e o tentáculo que anima Arthur desce o corpo do garoto até o médico.
- Seeeuuuuuu bastaaarrrdddooo... – sibila o monstro, dando um soco no médico, fazendo-o recuar alguns passos.
Mas nem o ataque do cadáver animado é capaz de romper a concentração do paranormal. Bruno entra em transe, estabelecendo uma linha de comunicação com as almas perdidas, ensinando-as o caminho a seguir. O monstro urra pela boca dos adolescentes quando percebe que algumas luzes começam a sumir sem vestígios.
No segundo andar, Fernando já podia sentir o fedor do monstro invadir suas narinas. Em um instante, ele avistou o corpo da professora passar em frente à porta da sala de aula, erguida pelo tentáculo amarelo. Sem pensar duas vezes, ele coloca toda a força no golpe, porém, o pé de mesa é arrancado de suas mãos por alguém que surge detrás dele. Fernando se desequilibra e cai, mal evitando bater de cabeça no chão. Ao se virar, ele vê o cadáver animado de Marcelo, ligado à um tentáculo que entrara pela janela da sala, segurando o pé de mesa. O cadáver sorri horrivelmente. Fernando se amaldiçoa por não ter prestado atenção melhor.
Marcelo investe com o pé de mesa contra Fernando. O psiquiatra gira e escapa do golpe. Agindo por instinto, Fernando chuta a perna de Marcelo, esperando fazê-lo cair, e teria tido sucesso se este estivesse vivo. Porém, sustentado pelo tentáculo, o chute é inútil.
O cadáver da professora agarra Fernando, puxando-o pela camisa, tentando imobilizar seus braços. Marcelo se aproxima segurando o pé de mesa e preparando um golpe para acertar a cabeça de Fernando. A mesma gargalhada pode ser ouvida vindo dos dois tentáculos.
Bruno começa a resplandecer como um farol na noite. Ligado à forças paranormais, o homem se torna um marco do caminho que as almas perdidas devem seguir. As luzes que tentavam escapar dos tentáculos subitamente descobrem por onde devem ir e mergulham vorazes em direção ao médico. Os tentáculos restantes tentam desesperadamente agarra-las, mas, desta vez sabendo o caminho, não ficam a esmo e deixam de ser presas fáceis. Dezenas delas começam a invadir o corpo do médico e, por instantes, pode ser vista uma estrada, como um caminho por onde crianças e adultos correm livres.
O tentáculo da professora e o tentáculo de Marcelo subitamente param o ataque, como se ouvissem um chamado silencioso. Os dois se afastam de Fernando e em seus rostos pode ser notado o desespero. Cada um por um caminho, descem e chegam ao pátio, onde juntamente com os demais cadáveres tentam atingir o corpo de Bruno para lacrar o portal luminoso. O monstro de sete cabeças bate forte, mas é inútil. Uma força superior parece manter aquele portal.
Solto pelos monstros, Fernando corre até o pátio para tentar ajudar Bruno. Ao ver a fantástica cena, não lhe resta nada a fazer a não ser agachar-se junto à coluna mais próxima.
As luzes entram rapidamente e, em breve, não há nenhuma voando pelo céu.
De repente, tudo pára, como um instante suspenso no espaço. Um silencio absoluto reina, precedendo a enorme rajada de luz que sai do corpo de Bruno e atinge em cheio a criatura demoníaca. O monstro tentacular rosna e grita num idioma ininteligível. Similar a um laser cirúrgico, aquela luz corta e desfaz o monstro por onde passa, como se trataria um tumor maligno.
Fernando mal pode enxergar em meio àquela luz branca. Ele treme e se encolhe, rezando para escapar com vida. O turbilhão branco não dura mais do que poucos segundos e, logo, o psiquiatra pode abrir os olhos.
O silêncio voltou a reinar no colégio. À sua frente, Bruno permanece caído. Não há nenhum vestígio do monstro demoníaco e, se não fossem pelos destroços do escritório do diretor, Fernando poderia crer que sonhara tudo aquilo.
O psiquiatra correu para junto do colega.
- Bruno? Bruno?! – Fernando tenta trazer o colega de volta à vida e checa seus sinais vitais, constatando um pulso fraco e uma respiração leve, mas constante.
Aos poucos Bruno começa a abrir os olhos, deixando Fernando um pouco mais aliviado.
- Oh, Deus!! Você está vivo!
- F-Fernando?... É você? – pergunta Bruno num sussurro.
- Sim, claro! Você conseguiu! Estamos vivos!
- Cof... e... e o demônio? – pergunta Bruno.
- Ele se foi! Toda aquela luz que você jogou nele... foi INCRIVEL!
Bruno tentou sorrir, mas era visível que estava sentindo muita dor.
- Preciso... que me ajude – pediu Bruno.
- Claro, vamos! – Fernando agarra Bruno pelos braços, apoiando-o.
- Fernando...
- Hm? Que foi?
- Eu... estou cego.
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O telefone tocava pela vigésima vez desde que ele acordara. Não havia atendido nenhuma das chamadas. Sentado em frente à porta que saía para a sacada, Fernando bebia devagar o uísque, sorvendo cada gole lentamente. O telefone parou de tocar.
O vento que vinha da baía do Guajará lhe atingia totalmente e, ao longe, era possível vislumbrar algumas nuvens de chuva que provavelmente cairia pela parte da tarde na cidade. Sempre chove em Belém. Todos os dias. Fernando lembrou de que sempre gostara da chuva. Quando criança era comum entrar nela e se divertir na água torrencial.
O telefone tocou novamente. Desta vez, ele se levanta e caminha até a mesinha, apanhando o fone.
- Alô – diz lacônico.
- Fernando? É Salomão. Estou ligando desde...
- Estou fora.
Fernando baixa o fone, encerrando a ligação, e volta para a poltrona. Se serve de outra dose de uísque e permanece sentado pensado na chuva que virá.
FIM _________________
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Gustavo Levin Escritor

Registrado em: Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2006 Mensagens: 658 : Localização: Porto Alegre - RS
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Enviada: Qua Jan 16, 2008 8:03 pm Assunto: |
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Oba, mais um retorno de Nexo! E com um final de arco muito bom, com acontecimentos que realmente devem ter abalado a cabeça do Fernando! É esperar pra ver como as aventuras da clínica seguem sem ele (ou com ele trabalhando por conta própria, aposto).
Mandou muito bem, Alex! Só espero que mês que vem tenhamos uma nova aventura da série, em vez de outra pausa. _________________ CONEXÃO GATE - VOLUME 2: FINAL: BARNES E GATE CARA-A-CARA!
Echelon #23: Adriana encara o jogo final contra o Grupo! |
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alexnery Site Admin

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 602 : Localização: Belém-Pará
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Enviada: Qua Jan 16, 2008 10:15 pm Assunto: |
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Valeu, grande Gustavo.
Eu já tinha planejado o fim do arco séculos atrás, mas hoje sentei em frente ao PC e refiz tudo. Digitei sem parar o capítulo todo. Que bom que vc curtiu.
Realmente estou em dúvida sobre como Nexo vai continuar (se é que vai), hehehe...
Mais do que escrever regularmente, pretendo ler regularmente. Devo um monte de comentários em todas as séries do UNF e pretendo me redimir. Obrigado pela atenção, chapa. Obrigado mesmo. _________________
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Resgate Supremo

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 1881 : Localização: Atibaia
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Enviada: Qui Jan 17, 2008 12:41 am Assunto: |
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Desculpe o palavreado, mas PUTAQUEOPARIU!!!!!
Agora sim, tô mais controlado...hehehe
Assim que vi essa história on line vim o mais rápido que pude e li tudo numa tacada só. Infelizmente por motivo de força maior só pude comentar agora.... E lá vms nós.
O começo com a preparação e a chegada dos jovens, que já sabemos estarem mortos, foi perfeita, criando um p**a clima de "o que diabos eles vão fazer?"
A chegada do demônio foi foda! E a professora sendo "absorvida" foi fenomenal... Cnsegui visualizar td na minha mente, bem como as cenas subseqüentes... Quando os jovens foram sendo pegos o desespero foi aumentando, ainda mais com a explicação do pacto que eles fizeram... De arrepiar!
E a cena do Bruno? Cara foi descrita de tal maneira que, na boa, se essa história virasse um filme ia ser um verdadeiro blockbuster!
E o final com o Fernando batendo o telefone na cara do Salomão deixa a série com aquele gostinho de "fico triste se acabar, mas se acabar mesmo foi um ótimo final" e tbm "Cacete! Agora que nexo num pode acabar de jeito nenhum!"
Claro que eu fico com a segunda alternativa.
Nerão, vc precisa se concetrar mais e fazer outras dessas... Seus textos são bons demais prá vc ficar nos "servindo em doses homeopáticas" Quero ler mais e logo! hehehehehe
Meus mais sinceros parabéns e mais, muito obrigado por ter voltado tão bem!
Um abração e se prepare, pois agora eu vou pegar aidna mais no seu pé prá vc voltar à forma antiga( de escrever, pois de corpo sei que num dá...hahahahahaha)
Até a próxima ( que seja próxima mesmo viu?) _________________
Nosso novo site!
http://novafronteira.wordpress.com/
SIM PARA AS CÉLULAS-TRONCO!!! |
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Tom Slash Escritor

Registrado em: Sexta-Feira, 27 de Janeiro de 2006 Mensagens: 604 : Localização: São José - SC
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Enviada: Qui Jan 17, 2008 2:38 am Assunto: |
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UAU!!! UAU!!! Que capítulo sensacional!!!! Nery, como tu faz falta regularmente aqui no UNF!!! To sem palavras, arrepiado... Que descrições, que momento, que final de arco... Concordo plenamente com o João, acho que você deveria vender esse arco pra qualquer grande produtora que com certeza vais ganhar muuuuita grana!!! Hehehehehe
As ações de Fernando nos mostram que mesmo sem super poderes, enfrentando o desconhecido, o ser humano é capaz de muito... Quanto a Bruno, mostrou a que veio e foi espetacular... Não preciso nem falar do nojento mosntro né!!! Minha esperança, como do João e Gustavo é que a série não acabe e nem que venha com doses homeopáticas!!!
Parabéns pelo extraordinário capitulo Nerão!!!
abraços cara _________________ Combates #22 - O Tempo
Já está online
Após quase dois anos, o passado torna-se presente novamente... |
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alexnery Site Admin

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 602 : Localização: Belém-Pará
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Enviada: Qui Jan 17, 2008 2:30 pm Assunto: |
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| Resgate escreveu: | Desculpe o palavreado, mas PUTAQUEOPARIU!!!!!
Agora sim, tô mais controlado...hehehe
Assim que vi essa história on line vim o mais rápido que pude e li tudo numa tacada só. Infelizmente por motivo de força maior só pude comentar agora.... E lá vms nós.
O começo com a preparação e a chegada dos jovens, que já sabemos estarem mortos, foi perfeita, criando um p**a clima de "o que diabos eles vão fazer?" |
Grande João! Valeu pelo apoio!
Pois é, o comentário que o Bruno fez na edição passada, afirmando que eles estavam "mortos" se referia à alma deles, que já havia sido tomada.
Mesmo assim, senti pena deles.
| Citação: | | A chegada do demônio foi foda! E a professora sendo "absorvida" foi fenomenal... Cnsegui visualizar td na minha mente, bem como as cenas subseqüentes... Quando os jovens foram sendo pegos o desespero foi aumentando, ainda mais com a explicação do pacto que eles fizeram... De arrepiar! |
Cara, eu imagino o corpo dela se retorcendo como um saco plástico enquanto o tentáculo penetra cada vez mais fundo, empurrando órgãos e tudo o mais pros lados. Realmente nojento. Não sei de onde isso veio, hahaha...
| Citação: | E a cena do Bruno? Cara foi descrita de tal maneira que, na boa, se essa história virasse um filme ia ser um verdadeiro blockbuster!
E o final com o Fernando batendo o telefone na cara do Salomão deixa a série com aquele gostinho de "fico triste se acabar, mas se acabar mesmo foi um ótimo final" e tbm "Cacete! Agora que nexo num pode acabar de jeito nenhum!"
Claro que eu fico com a segunda alternativa. |
Vamos ver no que vai dar. Ficou um final bem ambíguo mesmo, de acordo com o que eu queria, hehehe. Tenho algumas alternativas pra seguir. Como vc já disse, os comentários são o alimento do escritor, e a receptividade foi tão boa pra Nexo que me sinto bastante motivado. Vamos ver.
| Citação: | Nerão, vc precisa se concetrar mais e fazer outras dessas... Seus textos são bons demais prá vc ficar nos "servindo em doses homeopáticas" Quero ler mais e logo! hehehehehe
Meus mais sinceros parabéns e mais, muito obrigado por ter voltado tão bem!
Um abração e se prepare, pois agora eu vou pegar aidna mais no seu pé prá vc voltar à forma antiga( de escrever, pois de corpo sei que num dá...hahahahahaha)
Até a próxima ( que seja próxima mesmo viu?) |
Eu que agradeço. Agradeço a todos que leram qualquer capítulo e aos comentários incentivadores e generosos. Como vc sabe, tenho alguns projetos pela metade e algum deles pode engrenar de uma hora pra outra.
Obrigadaço. _________________
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alexnery Site Admin

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 602 : Localização: Belém-Pará
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Enviada: Qui Jan 17, 2008 2:36 pm Assunto: |
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| Tom Slash escreveu: | | UAU!!! UAU!!! Que capítulo sensacional!!!! Nery, como tu faz falta regularmente aqui no UNF!!! To sem palavras, arrepiado... Que descrições, que momento, que final de arco... Concordo plenamente com o João, acho que você deveria vender esse arco pra qualquer grande produtora que com certeza vais ganhar muuuuita grana!!! Hehehehehe |
HUheuhuhuha... Eu queria pelo menos quadrinizar a história, hahaha...
Grande Tomé "Thomas" Slash! Que bom que curtiu a história. Primeiro peço desculpas pelo atraso nos comentários não só de Combates como de todas as séries do UNF. Começei a redenção ontem, hahaha... Em breve meus comentários pintam pelas pastas. Obrigado, Tom!
| Citação: | As ações de Fernando nos mostram que mesmo sem super poderes, enfrentando o desconhecido, o ser humano é capaz de muito... Quanto a Bruno, mostrou a que veio e foi espetacular... Não preciso nem falar do nojento mosntro né!!! Minha esperança, como do João e Gustavo é que a série não acabe e nem que venha com doses homeopáticas!!!
Parabéns pelo extraordinário capitulo Nerão!!!
abraços cara |
Mais uma adesão à campanha "Nery, deixe de ser vagabundo e escreva!" Huahuahahuhahuhs...
Obrigado, Tom!!  _________________
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alexnery Site Admin

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Enviada: Qui Jan 17, 2008 2:45 pm Assunto: |
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Como a cabeça da gente viaja na hora de escrever, hein?...
Sinceramente, eu não esperava comentários tão rápidos e tão bons para Nexo depois dessa loooonga pausa. Agradeço aos amigos pelas palavras generosas e de incentivo constante. Vocês são grandes, pessoal!
Talvez queiram saber o que eu havia pensado para este fim de arco antes de chegar na forma final que foi postada. Coisas que não aproveitei por um motivo ou outro. Acredito que com vocês acontece a mesma coisa na hora de escrever.
Em primeiro lugar, pensei em matar o Fernando. Depois pensei em matar o Bruno. Instinto assassino, hahahaha...
Depois pensei em criar um interesse romântico entre Fernando e a professora. E no final, com a revelação do pacto, ele seria miseravelmente atingido. Crueldade? É sim. hahahah...
Pensei em salvar um dos moleques. Mas isso seria injusto com os demais, não é? Ele iria para o Nexo e se tornaria um "agente do mal" infiltrado. Poderia sair coisa boa, mas resolvi não complicar.
O terceiro arco (se houver ) pode trazer um novo protagonista. Ou um velho, "renascido". O que importa é que, se houver um próximo arco (e enquanto escrevo isto começo a me empolgar) pretendo mostrar o lado mais humano dos personagens, seguindo as lições do mestre Steve, dando uma vida particular pra cada um.
Enfim, obrigado pela atenção, galera! _________________
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Resgate Supremo

Registrado em: Terça-Feira, 20 de Dezembro de 2005 Mensagens: 1881 : Localização: Atibaia
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Enviada: Qui Jan 17, 2008 3:21 pm Assunto: |
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Agora eu espero sinceramente que haja um novo arco e o mais cedo possível!
Idéias boas vc tem aos montes, como eu disse te falta mais disciplina, pequeno gafanhoto, para que vc possa produzir mais!
Te peço como amigo que eu acho que vc me considera... Dê a si mesmo mais tempo pra escrever... Nem que seja uma linha ou parágrafo por dia! _________________
Nosso novo site!
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