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avalon Compulsive Writer


Registo: 20 Dec 2006 Mensagens: 607 :
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Colocada: Ter Jul 31, 2007 12:30 pm Assunto: A Escritora |
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Bem, aqui deixo um resumo da minha escritora preferida
Juliet Marillier nasceu em Dunedin, na Nova Zelândia, uma cidade com grandes tradições escocesas. Licenciou-se com distinção em Linguística e Música na Universidade de Otago e tem tido uma carreira variada que inclui o ensino, a interpretação musical e o trabalho em agências governamentais.
A Juliet adora história, mitologia e folclore desde que descobriu em criança os livros de Fadas de Andrew Lang, e por isso inclui este tipo de material nos seus livros, de forma mais ou menos instintiva. Gosta de histórias que explorem as viagens pessoais das mulheres, e as relações entre o Homem e a natureza - o que não surpreende já que a sua própria prática espiritual se baseia nos druidas.
Acredita que faz as coisas de forma mais intuitiva quando escreve ficção, e como resultado encontra na escrita sobre a arte de escrever um desafio interessante.
Embora seja original da Nova Zelândia, actualmente vive na Austrália, em Perth, próximo de uma comunidade rural onde existem a paz e a harmonia de que a autora necessita para escrever. Vive com os seus dois cães e companheiros e um assistente editorial felino. O jardim da sua casa possui árvores e ervas de acordo com as suas inclinações druídicas.
É internacionalmente famosa pela autoria da trilogia de Sevenwaters, com a que ganhou vários prémios e fizeram dela a sucessora de Marion Zimmer Bradley.
Aqui deixo, para quem estiver interessado, o endereço do site oficial da escritora:
http://www.julietmarillier.com/
Nota: Uma fotografia da escritora também não ficava mal mas aqui o Avalon não sabe como faze-lo…
 _________________
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Crookshanks Integrado


Registo: 09 Mar 2007 Mensagens: 121 :
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Colocada: Ter Jul 31, 2007 2:05 pm Assunto: |
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Aqui está. Juliet Marillier com um exemplar de Wildwood Dancing. _________________ <center>Colinas de Palavras - Um fórum direccionado para desafios de escrita, com Escritor do Mês, Associações, múltiplas actividades e muito mais!
</center> |
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Riona Explorador


Registo: 06 Jul 2007 Mensagens: 75 : Local/Origem: Espinho 1887 moeda
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Colocada: Ter Jul 31, 2007 5:04 pm Assunto: |
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Excerto de uma super-longa entrevista feita à Juliet Marillier, feita em Outubro de 2006, uma das entrevista que considero mais importantes, pois fala muito dos seus métodos de escrita. Não há propriamente SPOILERS, ela fala dos livros de um modo muito genérico, acerca da temática, da inspiração, e das dificuldades que encontrou, por exemplo, e sem revelar segredos do enredo.
A tradução é feita por mim, por isso peço desde já desculpa por qualquer incorrecção ou partes que estejam confusas, não soube fazer melhor...
Pergunta: De onde vêm as ideias para estas histórias épicas? São baseadas em pedaços de antigos contos?
Juliet Marillier: As ideias muitas vezes têm origem na História real – por exemplo, a história de O Filho de Thor foi inspirada pelo meu interesse na história das Ilhas Órcades, e no que deve ter acontecido quando os primeiros colonos noruegueses (ou invasores) chocaram com a população indígena dos Pictos. Eu gosto de perguntas sem resposta: Porque é que os Pictos desapareceram do Norte da Grã-Bretanha tão rapidamente, depois de serem uma presença politica e militarmente tão forte? A base para as Crónicas de Bridei é História real. Eu estava fascinada pela história do jovem Bridei a ser preparado para ser rei por um mago ou druida influente, o qual tem algum paralelismo com Artur e Merlin. Uma vez que eu adoro mitos, lendas e folclore, e tenho sido uma leitora durante toda a minha vida, muitos motivos e temas das histórias tradicionais encontram o seu caminho para os meus livros. Também retiro inspiração daquilo que vejo, ouço e vivo no dia-a-dia. Nos livros de Bridei há elementos fortemente relacionados com o facto de eu estar a escrever nos primeiros tempos da guerra do Iraque.
P: Nas suas histórias, os riscos/ objectivos /aquilo que está em jogo são sempre extremamente elevados, quer as personagens estejam determinadas a salvar um povo, conseguir a paz, ou, de qualquer modo, combater o mal. Quão importantes no género fantástico são estes riscos, e porquê?
JM: É difícil generalizar acerca do género fantástico, pois agora ele é tão diverso, abrangendo desde a fantasia urbana, ao mundo tradicional, épico, à comédia, e com um amplo alcance de estilos de escrita, desde altamente literária à mais comercial. Muitas histórias de fantasia entram nos arquétipos da mitologia, o que envolve os riscos/ os objectivos mais elevados – derrotar o mal, salvar o mundo, ser feliz para sempre. É tradição uma história de fantasia ser acerca da luta entre o bem e o mal, embora isso possa ser retratado de mil modos diferentes, e não necessitar ser uma grande história épica. Os leitores esperam uma espécie de busca/ luta. Não envolve necessariamente matar um dragão, ou salvar toda a Terra-Média, pode ser individual, uma jornada pessoal para a “iluminação”.
Nos meus romances, embora geralmente haja grandes coisas em jogo, num plano político ou familiar, eu tento equilibrar esses aspectos com a jornada pessoal do meu protagonista. Como leitora, eu gosto de estar envolvida na luta das personagens para se tornarem melhores ou mais sábios, logo isso é o mais importante nas minhas histórias. Isso emociona-me mais do que uma demanda para salvar o mundo.
P: Qual é o seu método de escrita, e ele é diferente de livro para livro? Durante quanto tempo trabalha em cada um dos seus romances?
JM: Geralmente escrevo um romance por ano. Os meus livros são relativamente longos e envolvem uma quantidade considerável de pesquisa, pelo que muitas vezes estarei a pesquisar para um romance enquanto escrevo outro, e edito um terceiro. Trabalho a maior parte dos dias no ano. Quando não estou a escrever, estou a executar tarefas relacionadas, como leitura de pesquisa, a actualizar o meu site, a responder a cartas e mails, a editar ou na revisão, a ver as minhas contas, a dar entrevistas e workshops, etc. É difícil especificar o número de horas por dia que eu trabalho, pois varia muito do avanço que o livro leva, e muitas vezes interrompo para fazer chávenas de chá, brincar com os cães, etc. Às vezes é tão pouco como duas horas, outras tanto como dez. Acho que em média serão umas cinco ou seis horas por dia. Isto não tem variado muito desde que escrevi o meu primeiro romance, que levou muito mais tempo porque não tinha prazo para entregar, e porque além disso esteva a trabalhar a tempo inteiro num outro emprego.
Eu sou uma “planificadora”. Eu faço pesquisa mesmo antes do perfil, do “projecto” do livro estar escrito, descobrindo acerca da história e cultura do local que estou a considerar, imergindo-me nele, para o “sentir” bem. Depois escrevo um longo projecto para a história (esta tarefa é em parte trabalho do agente e editor, em parte em parte meu, embora várias vezes o resultado final se afaste dessas linhas gerais previamente traçadas). O próximo passo é transformar o projecto num plano de capítulos, com a forma global do livro mais ou menos definida antes de começar a escrever o primeiro capítulo. Então começo no primeiro capítulo e escrevo as cenas por ordem sequencial.
Conforme vou avançado, vou corrigindo e melhorando o plano de capítulos, para o restante livro, por isso ele (o plano) vai-se tornando cada vez mais detalhado, quanto mais eu avanço na escrita. Quando estou nos últimos capítulos, a aproximar-me do clímax (o ponto alto), a atar as pontas soltas, a planificação que me resta é bastante detalhada. Enquanto avanço, vou revendo, por isso pela altura em que o primeiro esboço dos capítulos 19-20 está a ser escrito, os capítulos 1-10 podem ir no seu terceiro esboço.
É verdade, tenho um bocado a mania do controlo. Mas isso não quer dizer que eu não esteja preparada para me desviar do plano. Às vezes as personagens tomam conta da narrativa e levam-na em direcções inesperadas. Eu deixo isso acontecer quando penso que isso irá melhorar a história. Às vezes tenho boas ideias tardias, e incorporo-as na história. Mas não faço muita revisão, não sou uma escritora de muitos rascunhos.
(...)
P: Quando primeiro pensa na sua história, quais são os elementos básicos/ de origem que primeiro deve considerar? (..)
JM:(...) Há dois elementos que concebo juntos – eles são indivisíveis no processo de planeamento:
1 – A jornada pessoal do(s) protagonista(s) principal(ais) – qual é a sua forma, o que é que a pessoa aprende, que desafios ele ou ela tem de enfrentar, qual será o seu destino?
2 – A história temática, política – a “grande” história – qual é a circunstância global, como é que afecta a cronologia do livro, como pode ser entrelaçada com (1) para se tornarem num todo satisfatório?
Enquanto escrevo a planificação, eu tenho em consideração onde é que os pontos dramáticos da história vão ocorrer, onde ocorrerá o clímax mais importante, onde as conclusões tanto de (1) como de (2) terão lugar, para que o final seja satisfatório. Idealmente, a resolução de tanto a história pessoal com a temática, entrelaçam-se no final.
Um elemento que eu considero bastante desafiador é o início de cada livro – sou muitas vezes criticada pelos lentos começos das minhas histórias. Tenho feito um esforço consciente para melhorar isso! Pode ser especialmente difícil numa série épica como As Crónicas de Bridei, onde há bastante “história passada” que deve ser incluída para beneficiar os leitores que podem não ter lido os livros anteriores.
Eu posso ter temas que quero ver trabalhados na história, então vou considerar o modo como o irei fazer. Por exemplo, em O Filho de Thor, há o tema do juramento versus a consciência pessoal. O Máscara de Raposa tem algo a dizer acerca da fé, e também acerca da liderança e identidade.
P: O que é que tem em consideração quando entrelaça diferentes histórias?
JM: Eu tento não ter um pedaço disto seguido de um pedaço daquilo. Eu tento incluir paralelismos subtis e contrastes entre as várias histórias. Certamente que foi uma tarefa mais complexa escrever um livro como A Espada de Fortriu, com diversas personagens e os seus diferentes contextos pessoais, do que o meu primeiro romance, A Filha da Floresta, que tinha uma único ponto de vista na primeira pessoa. Claro que o escrever na primeira pessoa tem os seus próprios desafios de enredo.
Com múltiplas sub-enredos, cada um deles deve manter-se recente e memorável para que o leitor fique contente ao voltar a ele quando está na altura. Idealmente, o leitor deve ficar na expectativa para a próxima vez que cada um reaparecer. A técnica de deixar os leitores em suspenso para ver o que acontece é boa para isso, mas também pode ser usada em excesso, como no Código Da Vinci! Manter ligações entre as diferentes histórias ajuda, ainda que seja apenas de maneira a que a personagem A sonhe um bocado com a personagem Z , que partiu para qualquer lugar cinco capítulos trás. Se o leitor conseguir ver que os fios se vão juntar numa mesma tapeçaria, ajuda-o a encontrar uma conclusão compreensível .
P: Uma das coisas que eu gosto no seu trabalho, é que não recua perante os temas sombrios; de facto, a “escuridão” nas suas histórias adiciona-lhes realismo. Quando, à partida, se senta para escrever, faz uma escolha consciente para deixar todas as opções em aberto, quer essas opções levem à violação, ou à mutilação, ou ao assassinato de um irmão? Acha que essas escolhas tornam a narração de histórias mais interessante tanto para o escritor com para o leitor? Como é que lida com essas cenas e essas escolhas?
JM: Eu espero nunca usar de violência gratuita. Os períodos e culturas sobre os quais eu escrevo assistiram a muita violência e privações na vida diária, e é realista que as histórias reflictam isso – mortes em batalha, no parto, agressões e acidentes desagradáveis. Eu deixo a maioria das opções em aberto, mas há alguns limites para aquilo que eu incluiria e limites definidos para aquilo que eu “mostraria”, de um modo real. Se os temas negros me ajudam a melhor contar a história, que assim seja. É interessante ler acerca de seres humanos face a extremas dificuldades e escolhas extremas.
(...)
P: Quanta pesquisa investe nas suas histórias, e em que fase de construção de uma história conduz essa pesquisa?
JM: Eu faço uma grande quantidade de pesquisa e começo-a antes de iniciar o livro. Estou a conseguir ter uma boa biblioteca de livros de referência e uso a Internet para me apontar a direcção de fontes valiosas de informação (a Internet é pouco fiável como fonte directa de informação, mas vale o seu peso em ouro por acelerar o processo de encontrar as ferramentas de referência certas). Quanto tal é possível, eu viajo aos locais onde planeio localizar os meus livros, de modo a conseguir aprender sobre os “cenários” e a cultura. E tento ficar lá durante algum tempo, a tirar fotos aos locais, a falar com os habitantes, visitando museus etnográficos/ culturais, reconstituindo as jornadas das personagens, etc. Este ano visitei a Turquia, para reunir elementos de fundo para o Cybele’s Secret, um romance para jovens adultos passado no período Otomano. Regressei a casa carregada de material de referência que nunca teria descoberto sem lá ir. Uma grande vantagem de ter editado um grande número de livros é que eu de facto agora tenho possibilidades económicas de viajar.
(...)
P: Porquê escolher combinar o mundo real com fantasia quando pode criar mundos inteiros da sua imaginação? Quais são as vantagens e desvantagens desta abordagem?
JM: Eu adoro a História e a Cultura reais, e não tenho qualquer desejo pessoal de ir para além delas para grande inspiração. No que se relaciona com o aspecto fantástico, os elementos mágicos nos meus livros são baseados nas crenças prováveis do povo daquele tempo e cultura, por exemplo, a devoção a Thor pelo culto guerreiro em O Filho de Thor, as superstições sobre o Povo das Focas e semelhantes (comum a muitos habitantes de lhas) em Máscara de Raposa, as divindades de terra e céu da raça dos Priteni na série de Bridei, e a crença num Outro Mundo povoado por variadas raças de fadas, que tanto aparece na minha cultura Irlandesa como Picta.
Vantagens: há toda uma estrutura para desenvolver, que é credível porque é real. Os elementos sobrenaturais adaptam-se com eficácia aos elementos do mundo real uma vez que são firmemente baseados na mesma cultura e identidade nacional. A parte mítica, de conto de fada da história está de acordo com o povo de ascendência celta (ou nórdica, dependendo do livro).
Desvantagens: um tipo diferente de trabalho a ser feito – se por um lado não há necessidade de inventar um mundo do nada, por outro há muita pesquisa necessária para que os detalhes sejam tão autênticos quanto possível, desde a variedade de linguagens que eram faladas na altura (pode a personagem A efectivamente comunicar com a personagem B?), ao papel da igreja e do estado nas diferentes culturas, as características geográficas, quem era rei e quem era bispo no ano de 850. As partes ficcionadas devem combinar de modo convincente com as partes históricas. Isto significa que, no enredo, certas direcções não podem ser tomadas, o que ocorre deve ser, pelo menos, possível, no contexto dos factos históricos conhecidos, a não ser que se esteja a escrever uma história alternativa.
(...)
Editado pela última vez por Riona em Ter Jul 31, 2007 5:14 pm, num total de 3 vezes |
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avalon Compulsive Writer


Registo: 20 Dec 2006 Mensagens: 607 :
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Colocada: Ter Jul 31, 2007 5:06 pm Assunto: |
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Crookshanks
Obrigado pela gentileza a foto está bonita, ainda por cima apresenta um livro que eu bem gostava que fosse editado em Portugal, pois parece-me que são umas aventuras muito interessantes e ainda por cima com continuação
Obrigado
Edit:
Riona,
Bolas que entrevista interessante, deve-te ter dado uma enorme trabalheira a tradução mas estás de parabens, não só pelo trabalho efectuado como por partilhares a entrevista aqui no cantinho...logo desde já  _________________
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